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Adu era um génio aos 14 anos, aos 24 ficou sem clube. Hoje, grava vídeos personalizados de parabéns

Um dia, foi a grande esperança do futebol americano. Cedo lhe colocaram uma alcunha em forma de manto pesado sobre as costas: “o novo Pelé”

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FRANCISCO LEONG

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Em maio de 2003, a Nike fez duas apostas muito fortes em dois desportistas de duas modalidades distintas: LeBron James, no basquetebol; Freddy Adu, no futebol. A assinatura do contrato com a marca de roupa e calçado valeu-lhes um milhão de euros. Freddy tinha 13 anos.

Em 2004, no Madison Square Garden, o “LeBron do futebol”, como lhe chamou a Reuters, assinou por seis temporadas com o DC United. O seu salário seria de meio milhão de dólares, um luxo para a MLS. E Adu tinha apenas 14 anos mas tinha deslumbrado no Mundial sub17, na Finlândia, marcando três golos num jogo, frente à Coreia do Sul, alcançando os quartos-de-final com a seleção americana. A grande esperança do “soccer” era um ganês que se mudou com oito anos, com a sua família, para os EUA, e ganhou a nacionalidade numa lotaria em que a sua mãe jogou.

O DC United era uma das melhores equipas da MLS. Para além disso, era a equipa do estado em que Adu cresceu, Maryland. Foi lá que começou a chamar a atenção do mundo do futebol com as suas fintas impossíveis. Num torneio sub14 que disputou com a seleção estatal, deixou pelo caminho clubes do nível da Lazio ou da Juventus. “O que vi foi para lá da realidade,” admitiu Arnold Tarzy, o seu treinador da altura.

Estreou-se profissionalmente com 14 anos e 320 dias. Em 2006, era internacional indiscutível pelos EUA. Um ano depois, mudou-se para a Europa, com os olhos postos em Inglaterra. Fez uns treinos no Manchester United mas foi o Benfica que apostou nele. Em 2007, por um milhão de euros, Freddy Adu aterrou na Luz. As expectativas eram enormes, a etiqueta de “novo Pelé” era um peso monstruoso. Curiosamente, Pelé e Adu tinham uma boa relação e até gravaram juntos um anúncio a uma marca de refrigerantes.

No Benfica, Adu cumpriu o sonho de jogar a Liga dos Campeões, ainda que tenha sido apenas meia hora contra o AC Milan e o Celtic. Fez 14 jogos e marcou dois golos com a camisola encarnada. Depois disso, começaram os empréstimos, primeiro ao Mónaco, depois ao Belenenses, ao Aris de Salónica e ao Rizespor.

Depois de uma pouco sucedida experiência europeia, Adu regressou aos Estados Unidos, em 2011, para jogar no Philadelphia Union. O regresso fez pouco barulho mas o ainda muito jovem jogador chegou a estar duas semanas em testes no Rayo Vallecano. Foi para o Bahía, no Brasil, sem sucesso. Com 24 anos, Adu ficou sem clube. “Não fui o eleito para ser o novo Pelé,” confessou então.

Foi num clube da segunda divisão sérvia que se deu o regresso de Freddy Adu. Seis meses depois, não tinha feito qualquer jogo pelo Jagodina. Seguiu-se o KuPS, da Finlândia, onde fez cinco jogos. Regressou aos EUA, para jogar no Tampa Bay Rowdies e no Las Vegas Lights. Em 2017 ainda fez testes no humilde Sandecja Nowy Scz, da Polónia, mas foi recusado. Deixou de jogar futebol em dezembro de 2018.

Vítima de expectativas demasiado altas, Adu continua ligado ao desporto-rei, mas agora através de uma colaboração com uma organização solidária de Baltimore que ajuda jovens em dificuldades. Uma das suas responsabilidades é gravar vídeos personalizados de parabéns. No perfil da sua conta pode ler-se: “O jogador de futebol mais jovem a assinar pela MLS”. Uma recordação do que um dia o nome Freddy Adu significou.