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Wenger e a rivalidade com Ferguson: “É doloroso olhar para trás e aperceber-me do monstro que eu era e o quão egoísta eu conseguia ser"

O francês admitiu que vivia demasiado o futebol e que se sentia “fisicamente doente” sempre que o Arsenal perdia com o Manchester United

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Stuart MacFarlane

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O Arsenal de Wenger e o United de Ferguson competiram pelo título inglês e outras taças domésticas durante muitos anos, desde que o francês chegou ao Norte de Londres, em 1996, já o escocês estava em Manchester há 10 anos. Os jogos entre os dois rivais tinham uma intensidade nunca vista na Premier League até então e amiúde decidiram quem levava o título de campeão inglês.

Por vezes a intensidade dos conflitos levava a cenas caricatas, como a “Batalha do Buffet”, em 2004, em Old Trafford, em que voaram comidas várias e foi atirada pizza a Alex Ferguson, no túnel de acesso aos balneários.

Wenger, de 70 anos, terminou uma ligação de 22 anos ao Arsenal em 2018, e confessa que a rivalidade tornou visível o pior de si mesmo. Em entrevista ao programa “The Graham Norton Show”, da BBC, o francês afirmou: “Ele foi o meu maior rival durante 10 anos. A competição é real. A maior dor é perder um jogo. Eu ficava fisicamente doente quando perdia”.

O técnico veterano confessou: “Quando eu era um jovem treinador, pensei que não sobreviveria porque a tensão é tão alta e a dor tão forte quando se perde.” A dedicação de Wenger aos Gunners valeu-lhes três títulos da Premier League e sete Taças de Inglaterra, mas o francês admite alguns arrependimentos.

“O futebol era tudo. Na vida tens de encontrar significados e o futebol tinha significado para mim. Hoje, quando olho para trás, fico um pouco assustado com o facto de o futebol ter sido tão importante para mim. Por que sacrifiquei tanto e porque vive uma vida tão monástica e não quis saber de mais nada?”

Wenger vai mais longe: “É doloroso olhar para trás e aperceber-me do monstro que eu era e o quão egoísta eu conseguia ser porque eu vivia o meu futebol com 100% de intensidade.” O técnico não voltou a treinar depois de ter deixado o Arsenal e trabalha agora para a FIFA como diretor para o desenvolvimento global do futebol.