Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

A presidente do Norwich escreveu a Boris Johnson: “Por favor, senhor primeiro-ministro, podemos ter o futebol de volta?”

Numa carta informal, Delia Smith explicou ao primeiro-ministro inglês que permitisse a entrada de uma pequena percentagem de adeptos nos estádios. E ainda lhe pergunta se ele quer bilhetes para assistir aos jogos

Tribuna Expresso

Robin Jones - AFC Bournemouth

Partilhar

Delia Smith, acionista maioritária do Norwich Ciry juntou-se ao coro desesperado por voltar a ver público nos estádios. Mas a dirigente não escreve de forma agressiva. Em vez disso, Delia Smith dirige-se a Boris Johnson informalmente, usando argumentos sociais e económicos para justificar o regresso de “apenas uma percentagem” de fãs aos jogos profissionais.

A carta começa como se fosse uma resposta a um amigo: “Caro Boris, sei o que está a passar e como tudo isto é difícil. E cá estou eu, com mais uma carta para ler e mais um pedido de ajuda. Peço desculpa”. Delia Smith apressa-se a avisar que não está “a pedir dinheiro”. “O que peço é algo muito positivo, no meio destes tempos cinzentos.”

O que se segue pode ser lido como um apelo desesperado: “Por favor, por favor, tome a decisão de permitir que uma pequena percentagem de adeptos possa assistir aos jogos ao vivo”.

Delia Smith explica a Boris Johnson que “adeptos com dois metros de distanciamento, desinfeção das mãos, máscaras, medição da temperatura estarão mais seguros do que em grupos de seis a ver o jogo na televisão”.

A dirigente do Norwich explica a situação da perspetiva dos clubes mais pequenos: “Olhando para a possibilidade de alguns clubes mais pequenos deixarem de existir, temos de recordar que o futebol é um dos últimos bastiões do significado de ‘comunidade’ nos tempos modernos”.

“Os clubes que estão no coração das comunidades estão a poupar ao governo os gastos com a criminalidade juvenil. Ao mesmo tempo, fundações solidárias ligadas ao futebol, trabalhando ao lado dos clubes, dão um contributo enorme para ajudar os mais frágeis nas suas comunidades.”

“Do que precisamos é de boas notícias,” remata Delia Smith, lembrando que “Inglaterra inventou o futebol, que se transformou em muito mais do que isso”. “Por favor, senhor primeiro-ministro, podemos ter o futebol de volta?”

Por baixo da assinatura, há ainda um PS: “Diga-me se alguma vez quiser bilhetes para assistir a um jogo”.

  • Marcus Rashford: muito antes do futebolista, há uma pessoa decente

    Futebol internacional

    Ganha milhares de euros à semana, tem 22 anos e vive de uma profissão na qual é costume ouvir-se que ele e todos os outros não a devem misturar com outras coisas. Marcus Rashford, porém, continuou a fazê-lo. Depois de o pressionar o governo britânico a adiar o fim de um programa de vouchers alimentares para cerca de 1.3 milhões de crianças de famílias mais desfavorecidas e de ser condecorado pela Rainha de Inglaterra, voltou à carga esta sexta-feira, após o parlamento britânico chumbar uma proposta para prolongar o pacote de ajudas até à Páscoa do próximo ano