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Adel Taarabt: “Às vezes, regressava da escola e via os meus vizinhos de baixo a vender droga”

O jogador do Benfica é hoje um homem mais feliz. E não se pense que estamos a referir-nos à sua carreira enquanto futebolista. O marroquino deu uma entrevista ao “Record” e falou sobre a vida complicada para lá da bola

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O jogador do Benfica sente-se afortunado por ter crescido em França. “Viemos de uma pequena cidade em Marrocos, o meu pai emigrou e levou depois a família.” Foram viver para um bairro “onde muita coisa acontecia”. “Tenho amigos que foram para a prisão. Foi uma escolha,” considera Taarabt, justificando que a educação que os pais lhe deram “não foi essa”.

Mesmo que a educação fosse “outra”, o ambiente à volta de Taarabt e da família não deixava de ser aterrador. “Tive amigos que foram assassinados,” conta o marroquino, acrescentando que o próprio primo foi morto, quando Taarabt já jogava em Inglaterra. “Eram 6 ou 7 da manhã, estava no hotel e comecei a receber chamadas. (…) Era o meu pai e a minha irmã a chorar.”

Ainda hoje não se sabe o motivo do crime. Mas Taarabt garante que era algo “que podia acontecer”. “Às vezes, regressava da escola e via os meus vizinhos de baixo a vender droga”. O futebol foi, de certa forma, a sua salvação. “Quando tinha 11 anos, jogava em Marselha e todos os clubes em França queriam levar-me para a academia.” Houve um treinador em particular que aconselhou Adel Taarabt a ir para “o mais longe possível de Marselha”.

Acabou por ir para o Lens e daí para o Tottenham. Jogou em França, Inglaterra, Itália e Portugal. O facto de ser muçulmano interfere um pouco com a vida de jogador de futebol, mas Taarabt pratica a religião e não parece ter problemas em conciliar a atividade profissional com isso. Falando do Ramadão, o jogador explica: “Em dias de jogo não faço jejum, faço-o mais tarde. É algo que a religião permite a atletas profissionais”. Explica também que a prática religiosa lhe dá “fé e calma”.

Em Portugal, Taarabt garante que não sente intolerância. “Sinto-o um pouco em França”. Ainda assim, o jogador do Benfica admite que torce pela seleção francesa. “A França é um país fantástico. Deu-me uma oportunidade de ter uma vida melhor.”

Essa oportunidade é todos os dias procurada por pessoas desesperadas, que tentam atravessar o Mediterrâneo em pequenos barcos sem as mínimas condições. É mais uma realidade que Taarabt conhece bem. “Tive primos afastados que perderam a vida assim. São pessoas que querem mudar as suas vidas, não vêm para criar problemas.”