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“O Gambito da Rainha” fez aumentar a venda de tabuleiros de xadrez em 125% - e 17 milhões de partidas por dia

A série protagonizada por Ania Taylor-Joy conta a história de uma jovem jogadora e de como esta começa a ficar obcecada com a modalidade

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É comum que filmes e séries de televisão tragam com eles a nostalgia de uma época, como aconteceu com “Stranger Things”, ou que reacendam interesse no trema que tratam. No caso de “O Gambito da Rainha”, talvez não se esperasse que conseguisse pôr o xadrez na moda, um pouco por todo o mundo.

Para além de ter colocado tabuleiros em muitas casas em que o jogo era ignorado, a série da Netflix deu esperança a pessoas que não acreditavam nas suas próprias capacidades perante as peças de ar austero que se movimentam no jogo.

É o caso de Poela Keta, uma estudante sul-africana com quem o “New York Times” falou. A jovem diz que sempre respeitou o xadrez. “Mas pensava que não era suficientemente espera ou paciente para jogar”. Depois de ver a personagem Beth Harmon derrotando todos os adversários – e aqui esta palavra deve ler-se no masculino, a série mostra um desporto predominantemente para homens – a estudante ganhou vontade de jogar xadrez.

“A atitude de Beth, a forma como o tabuleiro aparece, no teto, a sua mestria, o ego, fez-me comprar um tabuleiro e começar a jogar.” Quando o tabuleiro de xadrez chegou, a irmão de 11 anos de Poela, que faz parte do clube de xadrez da escola, deu-lhe uma ajuda com o posicionamento das peças.

Durante o último ano, as vendas de tabuleiros de xadrez aumentaram nos EUA aproximadamente 25%, apenas um pouco mais do que a indústria dos brinquedos em geral. No entanto, nas semanas que sucederam à estreia de “O Gambito da Rainha”, as vendas relacionadas com a modalidade cresceram 125%.

Há fabricantes a aconselhar a compra nesta altura, porque é bem possível que os tabuleiros de xadrez esgotem. Uma porta-voz do eBay disse que a empresa registou um aumento de 215% sobre tudo o que tenha a ver com a modalidade que, durante décadas, foi associada às elites e nunca às massas.

Claro que há uma coincidência que, podendo não ser a razão exclusiva, deu um empurrão ao interesse súbito. Quando a pandemia começou a manifestar-se, os números começaram a subir, chegando aos 17 milhões de partidas de xadrez por dia.

Se a série fez com que as pessoas descobrissem o xadrez, um veterano da modalidade admitiu ao “New York Times” que “a comunidade do xadrez apaixonou-se pela série porque mostra eficientemente os diferentes aspetos do xadrez e a sua riqueza. É fácil ser divertido de jogar, mas também suficientemente complexo para colocar desafios.”

E não se pense que o interesse súbito diz respeito apenas à ação de jogar. Segundo o “NYT”, entre março e agosto as pessoas assistiram a 41,2 milhões de horas de jogos de xadrez na plataforma Twitch.