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No Bahrein, Lewis Hamilton diz que a F1 tem de zelar pelos direitos humanos nos países que visita

O heptacampeão do mundo de Fórmula 1 diz que a categoria tem um problema “consistente e massivo” de desrespeito pelos direitos humanos que deve enfrentar em muitos dos países que visita

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Peter Fox

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Hamilton emitiu a sua opinião no Bahrein, precisamente um dos países em que alguns direitos humanos são colocados em causa. O país anfitrião das próximas duas corridas de Fórmula 1, foi esta semana acusado de tortura e opressão.

Num conjunto de cartas endereçado a Hamilton por três cidadãos do Bahrein, alegadas vítimas do governo do país, é pedido ao inglês que se pronuncie sobre os seus casos. Os autores da iniciativa dizem-se vítimas de opressão e tortura por parte das autoridades do Bahrein. Hamilton disse que ia considerar o conteúdo das cartas ao detalhe nos próximos dias mas, acima de tudo, disse que a F1 tem de tratar dos direitos humanos nos países que visita.

“O problema dos direitos humanos em tantos países que visitamos é consistente e massivo,” disse Hamilton. “É muito, muito importante. Este ano mostrou o quão importante é, não apenas para nós enquanto desporto mas para todos os desportos à volta do mundo usar a plataforma que têm para dar um impulso à mudança. Nós somos dos poucos a ir a tantos países diferentes. Precisamente de fazer mais enquanto modalidade desportiva.”

O Bahrein vai receber duas corridas em fins de semana consecutivos, com a primeira já este domingo. Os direitos humanos no país têm sido referidos, mais uma vez, por ONGs. Na terça-feira, um grupo de deputados e um conjunto de organizações que lutam pelos direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch e o Instituo do Bahrein para os Direitos e a Democracia, escreveram uma carta ao CEO da Fórmula 1, Chase Carey. No documento, os signatários pedem à F1 que faça campanha para evitar “a normalização das violações de direitos humanos no país”.

A Fórmula 1 comprometeu-se com o respeito pelos direitos humanos nas suas operações pelo mundo em 2015 e tem repetido que segue esses protocolos: “Levamos a violência, a violação dos direitos humanos e a repressão muito a sério,” disse um porta-voz da F1. “A nossa política sobre direitos humanos é muito clara e diz que as empresas ligadas à Fórmula 1 se comprometem a respeitar internacionalmente os direito humanos.”

Hamilton, no entanto, considera que a modalidade tem de mostrar que está a respeitar os seus compromissos com ações e que vai continuar a pressionar para que o façam. “Alguns passos foram dados em relação aos sítios onde vamos. Mas é importante que nos asseguremos de que eles são implementados da forma correta e não apenas dizendo que vamos agir”.

O governo do Bahrein rejeita veementemente as acusações de desrespeito pelos direitos humanos. “O Bahrein leva as suas obrigações neste particular muito a sério e compromete-se a manter padrões elevados de proteção dos direitos humanos, incluindo o direito à liberdade de expressão,” pode ler-se num comunicado oficial.