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Anton Ferdinand revisita em filme o dia em que John Terry o insultou. “Desiludi algumas pessoas por não ter falado antes"

O antigo jogador do Queen’s Park Rangers fez um documentário sobre racismo para a BBC. O jornal “The Guardian” chama-lhe “um dos mais devastadores documentários sobre desporto dos últimos tempos”.

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Jeff Holmes - PA Images

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“Anton Ferdinand: Football, Racism and Me" parte do embate entre o Chelsea e o QPR, em outubro de 2011. Mais precisamente, do momento em que John Terry insultou Anton Ferdinand de forma racista. O filme inclui momentos comoventes, como aquele em que um Anton de 10 anos, confirma ao repórter que o seu irmão é Rio Ferdinand e diz: “Ele ensinou-me algumas coisas e espero seguir os seus passos.” Ainda assim, a questão central é o racismo.

Em 2020, Anton questiona-se por que razão não fez mais em 2011 para divulgar a conduta de John Terry. Mesmo quando, perto do fim do filme, Ferdinand se prepara para falar a um grupo de jogadores sub23 do West Ham, sente-se que ele está uma pilha de nervos. A situação ainda mexe com ele.

Ao longo do filme, tudo o que ouvimos de Terry é um clipe áudio da sua entrevista a uma delegada da federação. O antigo jogador do Chelsea soa calmo e articulado. Os dois fazem piadas à medida que percorrem os eventos, brincam com a atuação do árbitro. De facto, a despreocupação de Terry, antigo capitão da seleção inglesa, parece manter-se até aos dias de hoje, recusando-se a responder a um e-mail de Ferdinand ou a atender uma chamada dele.

Mas a verdade é que as palavras insultuosas dirigidas por Terry a Ferdinand naquele dia de 2011 conseguem ler-se facilmente nos movimentos dos lábios do jogador do Chelsea, apanhado pela transmissão televisiva. Na altura, depois de ser acusado, Terry disse: “Já vi que há muitos comentários na internet sobre umas imagens do jogo de hoje. Estou desiludido que as pessoas tenham tirado conclusões erradas sobre o contexto das minhas palavras para o Anton Ferdinand. Eu pensei que o Anton me estava a acusar de usar palavras racistas contra ele. Eu nunca diria uma coisa dessas.”

Depois de quase uma década em silêncio, porque lhe diziam para não falar sobre o incidente em público, Anton Ferdinand voltou a falar do caso no documentário. “Ainda carrego comigo o sentimento de ter desiludido algumas pessoas por não ter falado antes,” diz Ferdinand.