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Lapónia 2032? Cidade usa humor para chamar a atenção para a crise ambiental e sugere Jogos Olímpicos na região

A corrida para a organização dos Jogos Olímpicos de 2032 já começou. Jakarta, Istambul e Seul-Pyongyang são três fortes hipóteses mas surgiu agora mais um concorrente e fica na Lapónia. A pequena cidade de Salla, considerada a mais fria do mundo, apresenta-se como hipótese para as Olimpíadas de verão, numa chamada de atenção para as alterações climáticas

Carlos Luís Ramalhão

Justin Setterfield/Getty

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“Nunca tinha sentido calor antes, mas tenho a certeza de que ele vem aí,” disse um residente num vídeo promocional lançado esta semana para acompanhar a candidatura. “Dentro de 12 anos não haverá gelo e isto será um lago perfeito,” disse outro. “Mal posso esperar que a neve derreta,” afirmou um terceiro, este segurando orgulhosamente uma prancha de surf. E se as outras cidades têm as infraestruturas, Salla tem a crise ambiental. E um negro sentido de humor.

O site oficial de Salla 2032 mostra-nos um logótipo com uma paisagem montanhosa, o gelo derretido e os anéis olímpicos como sois. No texto, promete-se um evento sem igual numa atmosfera que antigamente era Ártica e dentro de pouco mais de dez anos será apenas um local aprazível e apropriado para competição desportiva de verão.

“Gostámos da ideia porque estamos preocupados com a crise ambiental e também porque vivemos aqui no círculo polar ártico e vemos as alterações a acontecer,” disse Erkki Parkkinen, presidente da câmara de Salla e grande impulsionador da campanha. “Queremos que os invernos voltem a ser o que eram,” confessou o autarca.

Neste momento ainda há neve suficiente na Lapónia para fotografar paisagens dignas de postais. Mas o Ártico tem enfrentado algumas das mais radicais variações no clima com o “patrocínio” do aquecimento global. A pequena cidade finlandesa de Salla não é exceção.

A mascote escolhida para a candidatura é uma rena exausta por causa do calor. A cidade associou-se ao movimento “Fridays for Future”, cuja fundadora e membro mais conhecido é a adolescente sueca Greta Thunberg. “A crise climatérica está a acontecer agora e eles são bons parceiros,” disse o presidente da câmara de Salla.

As Olimpíadas, de acordo com Parkkinen, foram o alvo perfeito. “Se pensarmos que, desde o início, o seu objetivo foi unir pessoas e nações… O movimento olímpico une pessoas, é global e as alterações climáticas são um problema do planeta como um todo.”

Esta colaboração, que envolve também o Turismo da Lapónia, pretende, acima de tudo, chegar aos corações e às mentes das pessoas, mesmo que não consiga ser escolhida para organizar os jogos. Na verdade, Parkkinen admitiu que não chegou a enviar os documentos da candidatura ao Comité Olímpico Internacional. “Não enviámos os papéis. Não queremos ser o melhor local para os Jogos Olímpicos de verão em 2032,” afirmou o autarca.