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Premier League vs redes sociais: Vários jogadores foram insultados online esta semana. O Governo promete ações concretas

O futebol inglês quer desafiar as empresas por trás das redes sociais a provarem que as suas intenções de proteger os jogadores de abusos online são sérias. Isto depois de mais uma semana carregada de insultos

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Pool/Getty

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Marcus Rashford, Reece James, Anthony Martial, Axel Tuanzebe ou Romaine Sawyers têm em comum o facto de serem jogadores de futebol em Inglaterra. Para além disso, todos eles sofreram abusos racistas nos últimos dias. De acordo com o jornal “Daily Mail”, os principais dirigentes do futebol inglês vão pressionar empresas como o Twitter e o Instagram para implementar medidas de combate ao abuso online. Em particular, para que todas as contas sejam verificadas para que os culpados sejam identificáveis.

Segundo o jornal, esta será uma semana decisiva para os dirigentes do futebol inglês. Os líderes da Premier League vão discutir possíveis soluções para ultrapassar um problema que voltou a ganhar força no fim de semana que agora terminou.

A semana passada, a FA, federação inglesa de futebol, tomou conhecimento de um plano do Governo para impor multas pesadas às empresas que detêm redes sociais. O executivo considera-as negligentes na proteção dos jogadores. A FA não quer culpabilizar apenas as empresas, mas também os próprios “patrões da tecnologia”, por alguns casos de abuso online.

A conta de um pré-adolescente de 12 anos esteve ligada aos abusos racistas sofridos por Romaine Sawyers na semana passada. Entretanto, foi preso um homem de 49 anos, desconhecendo-se a relação deste com a referida conta.

Ao mesmo tempo que a FA continua a ser inundado de queixas contra o facto de os jogadores se ajoelharem antes do jogo, em solidariedade com o movimento Black Lives Matter, o príncipe William, que é o presidente da FA condenou veementemente o racismo: “O abuso racista, seja no relvado, nas bancadas ou nas redes sociais, é detestável e tem de parar imediatamente”.

Jogadores como Jordan Henderson ou Tyrone Mings tiveram reuniões com o Governo sobre a discriminação no futebol. Entretanto Marcus Rashford usou a sua conta no Twitter para revelar os insultos que recebeu depois do empate entre o Manchester United e o Arsenal, no sábado passado.

Durante as conversações, os representantes do Governo falaram da “tolerância zero” que querem pôr em prática usando como referência o decreto-lei que estão a preparar. O executivo disse à FA e aos jogadores que a nova lei vai ser apresentada ao Parlamento ainda este ano. Isto apesar de várias figuras-chave do futebol inglês acharem que não está a ser feito o suficiente para resolver o problema.

No domingo, a antiga estrela da seleção inglesa e do Arsenal, Ian Wright, disse: “Nos meus casos, a Premier League tem sido fantástica no trabalho de encontrar os culpados. Estão a ser feitas coisas”.

No entanto, há uma insatisfação crescente com o facto de os gigantes das redes sociais não estarem a fazer o suficiente. A organização antirracista Kick It Out teve várias conversas com empresas ligadas às redes sociais ao longo dos últimos dois anos sem conseguir progressos significativos. Os dirigentes da associação não escondem a frustração. Iffy Onuora disse: “As redes sociais têm sido extremamente lentas a retirar material abusivo, não apenas o que atinge os jogadores de futebol, mas situações de abuso em geral. Existe tecnologia no mercado que pode atuar bem mais depressa do que tem acontecido”.