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Brexit: se fosse hoje, Solskjaer, Bielsa e Arteta não poderiam treinar o United, o Leeds e o Arsenal

Novas regras podem impedir os clubes da Premier League de contratarem treinadores estrangeiros. O Brexit coloca novos entraves à entrada de cidadãos de outros países no Reino Unido para trabalhar e a FA também não facilita

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John Sibley

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O processo de saída do Reino Unido da EU ameaça mudar significativamente o futebol inglês. A contratação de técnicos estrangeiros estará sujeita a novas e apertadas regras. A FA [Federação Inglesa de Futebol] esteve reunida com o Home Office [equivalente ao Ministério da Administração Interna] no passado mês de janeiro. Foram adotadas leis que, por exemplo, impediriam Ole Gunnar Solskjaer de treinar o Manchester United.

Pelas mesmas razões, dezenas de treinadores na Premier League e nas ligas secundárias poderão não ser autorizados a trabalhar em Inglaterra. As novas regras da FA baseiam-se em cinco “bandas”, que determinam se um treinador se qualifica para um Governing Body Endorsement, ou seja, uma autorização do Governo para viver e trabalhar em Inglaterra.

O treinador em causa tem de ter trabalhado nessas “bandas”, descritas num documento de 12 páginas, em dois anos consecutivos ou em três dos últimos cinco anos para receber um GBE.

O exemplo mais referido é o de Solskjaer, um homem da casa do Manchester United, antigo jogador do clube e atual treinador dos Red Devils. Nada disso interessa com as novas leis. Antes do regresso à equipa onde foi muito feliz como jogador, o norueguês treinou o Molde, da primeira divisão do seu país, e não cumpre os requisitos das já referidas “bandas”.

A única forma de um treinador obter um GBE é ter treinado uma equipa internacional do top 50 da FIFA durante o período de cinco anos que antecede a candidatura. As restrições apenas se aplicam a treinadores que pretendam trabalhar em Inglaterra depois de as regras terem sido aprovadas. Ou seja, Solskjaer, Marcelo Bielsa, Mikel Arteta, entre outros, estão livres das novas normas porque já se encontram a trabalhar em solo britânico.

Segundo o "Daily Mail", as regras da FA vão ter um grande impacto no Championship, a segunda liga inglesa, onde a dança dos treinadores é mais frequente e os clubes contratam técnicos fora da elite europeia. O Norwich, atual líder da classificação do Championship, não teria podido contratar Daniel Farke, que os levou à Premier League há dois anos, mas cuja única experiência anterior como técnico principal tinha sido no Borussia Dortmund B, na quarta divisão alemã.

As novas regras também se aplicam ao resto da equipa técnica que, muitas vezes, chega com o novo treinador. As restrições no caso de os clubes contratarem diretores desportivos estrangeiros são menos exigentes. Os candidatos serão aceites se tiverem trabalhado como diretores ou treinadores em ligas relevantes, no período requerido. Em qualquer caso, os clubes podem recorrer se for negado um GBE ao profissional que querem contratar.