Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Por vontade de Vieira, Jesus pode sair do Benfica. Mas apenas por iniciativa própria

O empate com o Farense foi mais uma gota no copo de água de Jorge Jesus e começa a ser difícil negar que o título já nem com telescópio se vê. Os 15 pontos que separam o Benfica do líder Sporting ajudaram a distanciar Jesus de Vieira. O presidente já está preparado para mais uma missão abortada e, segundo o “Record”, quer mesmo que Jesus saia, mas tem de ser o treinador a tomar a iniciativa

Tribuna Expresso

JOSE MANUEL RIBEIRO

Partilhar

Segundo o jornal “Record”, o presidente do Benfica está pronto para abdicar do projeto que o fez ir buscar Jorge Jesus ao Brasil e gastar milhões como nunca antes em jogadores. Depois de uma mudança radical no destino das Águias – ainda se lembram da “aposta na formação”? – Luís Filipe Vieira perdeu a paciência com os maus resultados e quer que Jesus saia, mas que o faça pelo próprio pé.

O empate em Faro foi mais um sinal da crise desportiva do Benfica. O clube da Luz está com 15 pontos de atraso em relação ao surpreendente Sporting de Rúben Amorim. O “Record” fala de uma “guerra fria” entre Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus.

De acordo com o diário desportivo, não será Vieira a tomar a iniciativa de demitir Jesus. O treinador de 66 anos tem contrato até junho de 2022 e despedi-lo representaria mais uma despesa milionária que a SAD não quer assumir. No entanto, se for o técnico a dar o primeiro passo para a saída, a direção do clube da Luz deverá mesmo aceitar a demissão.

Não será surpresa para ninguém que Vieira esteja desiludido com os resultados do projeto megalómano que o presidente do Benfica pôs em marcha, contrariando as intenções de apostar nos jovens da casa e gastando mais de 100 milhões de euros em jogadores. Muitas dessas contratações foram feitas para satisfazer os desejos a Jesus, incluindo a de Lucas Veríssimo, o último a chegar, para que o treinador tivesse o tão desejado defesa central.

Por outro lado, Luís Filipe Vieira lamenta o recuo na aposta em jogadores formados no Seixal. A desilusão do presidente do Benfica não deixa de ser surpreendente, uma vez que é bem conhecida a posição de Jorge Jesus em relação à formação, não sendo essa claramente uma das suas prioridades, ao contrário do que acontecia com os seus antecessores Rui Vitória e Bruno Lage.

Tomás Tavares, Florentino e Jota foram emprestados, enquanto Ferro saiu em janeiro, para o Valencia. Gedson, que tinha sido levado por Mourinho para o Tottenham, não teve grandes hipóteses de se mostrar e acabou por rumar à Turquia, para jogar no Galatasaray. Da academia do Seixal, apenas Nuno Tavares (19 jogos) e Gonçalo Ramos (10 jogos, três como titular) têm sido utilizados.

De acordo com o “Record”, não é apenas Vieira que está desiludido. O próprio Jorge Jesus considera que não lhe deram a prometida superequipa. O técnico acha que ficaram por contratar vários jogadores para posições-chave na equipa. No final do jogo com o Farense, Jesus referiu a falta de “um jogador que meta a bola lá dentro”. Também William Carvalho ou Willian Arão, ambos médios defensivos, eram jogadores desejados, mas a SAD não teve meios para mais.

Vieira está longe de ser o único dirigente do Benfica a mostrar o seu descontentamento, pelo menos internamente. Vários elementos dos órgãos sociais do Benfica tinham franzido o sobrolho ao regresso de Jesus. Com a situação atual a dar-lhes razão, há vários dirigentes a pedir a saída do treinador. Se o clube da Luz não se qualificar diretamente para a Liga dos Campeões, sendo que para isso tem de ficar em primeiro ou em segundo no campeonato, essas vozes descontentes irão certamente fazer-se ouvir mais alto.

O “Record” diz que o orçamento para 2021/22 está já a ser alinhavado. Pouco surpreendentemente, estão previstos cortes em várias áreas, incluindo nos ordenados.