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Imprensa inglesa elogia portugueses do Manchester City, sobretudo João Cancelo

Para o "Daily Mail", João Cancelo está a reescrever "o livro das regras", Rúben Dias ajuda a criar uma defesa "impenetrável" e Bernardo Silva faz parte de um grupo que está a jogar "um futebol incrível"

Carlos Luís Ramalhão

OLI SCARFF

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A época passada assistimos a um domínio histórico, esfomeado, do Liverpool de Klopp. Muitos terão pensado que era uma nova era a começar, que era o fim do Manchester City de Guardiola e que um testemunho tinha acabado de ser passado. Nada mais errado. Este ano, enquanto os Reds lutam para se manterem no comboio da Liga dos Campeões, os Citizens dominam a Premier League, com a ajuda de alguns portugueses.

Curiosamente, os três jogadores portugueses do City – mais um brasileiro gigante na baliza – são todos “made in Seixal”, o que torna irresistível a associação à ideia entretanto aparentemente abandonada de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, de construir uma equipa baseada na formação do clube.

João Cancelo, Bernardo Silva, Rúben Dias e Ederson já se habituaram ao azul celeste das suas camisolas. Tanto que a exigente imprensa inglesa não faz cerimónias e espalha elogios pelos portugueses e pelo brasileiro e diz que este Manchester City “poderá ser o melhor de sempre”.

Antigos jogadores tornados comentadores, não necessariamente ligados ao passado do clube, tecem rasgados elogios à forma do City. É o caso de Michael Owen, que até jogou nos dois maiores rivais dos Citizens, o Liverpool e o Manchester United. O antigo avançado acredita que a equipa de Guardiola pode ganhar os quatro troféus ainda em disputa.

Outros dois ex-Red Devils, Rio Ferdinand e Owen Hargreaves elogiam o City. O antigo defesa central chama “fenomenal” à equipa de Guardiola, enquanto o anglo-canadiano diz que “só eles próprios podem impedir-se de vencer a Liga dos Campeões”.

De forma surpreendente, o mais elogiado pela imprensa é João Cancelo. Segundo o “Daily Mail”, o português “foi como uma nova contratação”, considerado “um dos maiores destaques desta época”. O antigo jogador da Juventus teve uma época de estreia discreta, mas este ano parece ter-se tornado intocável, com 20 aparições em 25 jogos.

Guardiola poderá ser o culpado da preponderância de Cancelo, dando-lhe novas funções no xadrez futebolístico. O jogador de 26 anos transforma-se em médio quando o City tem a posse da bola, o que acontece a maior parte do tempo. De acordo com o “Daily Mail”, tem-lhe sido dada “liberdade e autorização para influenciar a forma de jogar do meio campo”.

“A sua posição quando eles têm a bola é no centro do campo, como um pivô,” explica Rio Ferdinand. “Ele chega a ser um número dez e distribuir jogo. É de loucos. E isto é obviamente a forma como Guardiola e ele próprio veem o jogo.”

Outro dos elogiados é o mais recente português no clube. O jornal inglês diz que “a chegada de Rúben Dias no último verão ajudou a tornar a defesa impenetrável”. “O defesa colossal, ex-Benfica, tem sido crucial para fazer com que o ponto fraco da defesa desapareça.” O órgão de comunicação lembra ainda que “o português tem jogado todos os minutos da Premier League desde a sua mudança para o clube, em setembro passado, exceto num jogo”.

“Todos estão a jogar um futebol inacreditável, Gundogan, Bernardo Silva, Cancelo, Stones, todos,” afirma Hargreaves. O Manchester City perdeu uma peça-chave com a lesão de Aguero, mas a verdade é que isso não se tem notado nada. E o argentino está prestes a regressar à competição.

Por fim, de referir que o guarda-redes Ederson, de 27 anos, já tem mais jogos sem sofrer golos esta época do que o ano passado e igualou a temporada de estreia em Inglaterra. Para além das exibições a título individual, o antigo guarda-redes do Benfica tem também contado com a ajuda da já referida “defesa impenetrável”.

Com mais jogadores formados no Seixal a jogar regularmente do que o próprio Benfica, o Manchester City vai dominando a Premier League.