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O futebol feminino cresceu 181% em Portugal. Em Espanha analisam o fenómeno

Apesar de apenas 16% dos clubes em Portugal terem equipa de futebol feminino, na última década, a modalidade cresceu 181% no número de jogadoras federadas. O fenómeno foi estudado pelo observatório da FPF e chamou a atenção da comunicação social espanhola

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PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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O futebol feminino tem tido um crescimento assinalável. Ao longo dos últimos dez anos, o número de jogadoras federadas em Portugal aumentou 181%. É um número impressionante, divulgado pelo estudo “Como aumentar e reter mais o futebol feminino”, do Observatório de Futebol de Portugal, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Os números evidenciados mas também a existência do estudo chamaram a atenção do jornal desportivo catalão “Sport”, que refere o documento como o primeiro de um conjunto de relatórios a serem publicados mensalmente, todos eles relativos “às principais áreas de investigação futebolística”.

Com a chegada e permanência do novo coronavírus ao nosso país, prevê-se que haja um decréscimo nos números mas, como bem sabemos, isso está a acontecer de forma global, em todas as atividades, desportivas ou não.

Segundo o estudo, o Campeonato da Europa de 2016 terá significado um ponto de viragem para o futebol feminino. Apesar de a diferença continuar a ser abismal para a vertente masculina, com 9.662 mulheres e 211.497 homens federados, houve um grande aumento em comparação com as 964 inscritas em 2010. Em 2016, com a vitória da seleção masculina no Europeu, o número de jogadoras subiu para 2.002.

A existência de mais equipas femininas foi fundamental para explicar o crescimento, embora haja ainda muito trabalho a fazer nessa matéria. O número de clubes com secção feminina continua ser muito baixo.

O estudo também incide sobre a necessidade de combater os fatores que provocam o abandono da prática desportiva. A problemática de conciliar a vida laborar com a carreira futebolística é apontada como a principal razão para que as mulheres acabem por abandonar o futebol. Ainda assim, os números têm descido, o que significa que há mais mulheres a seguir uma carreira no desporto.

O jornal “Sport” escreve, citando o estudo, que os horários de treino, tardios, são um dos principais problemas para as jogadoras. A FPF aconselha os clubes a organizar os treinos umas horas mais cedo, para evitar a incompatibilidade de horários. Por outro lado, muitas atletas não conseguem ver no futebol o seu futuro. Muitas acabam por preferir dedicar-se aos estudos e ingressam no ensino superior, abandonando o desporto.