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“Traídos por Ronaldo”, “desastre”, “heróico” e “corajosos”: de Cristiano a Pepe, da Juventus ao FC Porto, a noite europeia vista lá fora

Os dois principais jornais desportivos italianos ignoraram o feito da equipa portista, preferindo virar-se contra Ronaldo e os seus companheiros de equipa. Em Inglaterra, diz-se que a Juventus foi “justamente humilhada” pelo FC Porto, com Sérgio Oliveira e Pepe em destaque. De França chegam elogios ao papel de Sérgio Conceição na noite de glória dos Dragões

Carlos Luís Ramalhão

Chris Ricco

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A imprensa italiana não costuma perdoar os desaires das suas equipas nas competições europeias. Ao longo da última década, a Juventus representa o expoente máximo do “calcio”. Ainda que antes o clube de Ronaldo fosse já “uma senhora de respeito”, o domínio exercido na Série A, o facto de ter um plantel ultraluxuoso, com um dos dois melhores jogadores do mundo no ataque às balizas fez com que a equipa e os que a seguem – como jornalistas ou como adeptos – empinassem o nariz e se permitissem ver no reflexo do espelho uma armada invencível. Pois.

Ontem, a Juventus teve pela frente uma equipa que, longe de ser modesta, – o currículo dos campeões nacionais na Europa fala por eles – não é um “tubarão”, não joga nas ligas de topo do futebol europeu e não tem um orçamento comparável ao de outros grandes clubes. O FC Porto surpreendeu, fez história com 10 jogadores em campo e a imprensa italiana destacou o mau jogo dos compatriotas. Se a vitória portista teve algo de inesperado, a atitude de jornais como o “Corriere dello Sport” ou a “Gazzetta” não surpreendeu ninguém.

O “Corriere dello Sport” não faz a coisa por menos: “Traídos por Ronaldo” enche grande parte da capa de hoje. O jornal sugere que o jogador português devia ter parado o remate de Sérgio Oliveira que fez a bola correr, rasteira, e entrar na baliza de Szczesny. A mesma publicação culpou o guarda-redes polaco por ter deixado passar a bola e lembra que o FC Porto fez grande parte do jogo com um homem a menos, depois da expulsão do iraniano Mehdi Taremi, aos 54 minutos.

Já a “Gazzetta dello Sport” virou as suas atenções para Pirlo, o treinador da Juventus que foi um dos melhores jogadores do mundo mas que está a dar os primeiros passos como técnico. “Mais um desastre na Liga dos Campeões” pode ler-se na capa da “Gazzetta”. Claro que a fotografia escolhida é a de um Cristiano desesperado. O diário diz que o português “desiludiu” durante todo o jogo.

De Inglaterra chegaram elogios à vitória portista. O antigo jogador do Chelsea, Joe Cole, destacou a atuação de Pepe, considerando o luso-brasileiro “um dos melhores defesas centrais do mundo” apesar da idade. Rio Ferdinand considera que o FC Porto teve uma “atuação brilhante”. O “Daily Mail” elogia Sérgio Oliveira mas concorda com os comentadores, escolhendo Pepe como o melhor em campo. “Heroico” foi a palavra utilizada.

O “The Guardian” leva o jogo de ontem ao cinema e chama “thriller” ao prolongamento que viu Sérgio Oliveira gelar os adeptos da Juventus que, por uma vez, agradeceram o facto de não poderem ir ao estádio. O internacional português foi destacado, bem como o facto de o conjunto portista ter ficado reduzido a 10 jogadores aos 54 minutos. O jornal inglês chama “corajosos” aos Dragões que “justamente humilharam” a Juventus mas não deixa de criticar Mehdi Taremi pela atitude “disparatada” que o levou a ser expulso.

De França, chegam elogios ao comandante da equipa portuguesa. Sérgio Conceição definiu a estratégia e “os jogadores aplicaram à letra os planos do seu treinador”, diz o “L’Équipe”. Sérgio Oliveira é eleito como homem do jogo.

Já em Espanha, o jornal “Marca” pergunta a Ronaldo o que se passou e elege Pepe como “imperial” em campo. Em relação a CR7, a publicação de Madrid não é tão dura como os jornais italianos, preferindo fazer a análise ao momento do português e dizendo que Ronaldo é, nesta fase, “um craque sem equipa”. Se a “Marca” é um órgão próximo do Real Madrid, já o “Sport”, assumidamente ligado ao Barcelona, cai previsivelmente em cima de Ronaldo, lembrando que o português não marcou numa eliminatória da Liga dos Campeões “pela primeira vez em 15 anos”.