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A guerra da formação no Benfica: Vieira quer apostar no “made in Seixal”; Jesus nem por isso

O treinador do Benfica não é conhecido por apostar em jogadores jovens, da casa. Pelo menos não na proporção pretendida pelo presidente do clube, Luís Filipe Vieira. Os antecessores de Jesus, Rui Vitória e Bruno Lage, tinham essa atitude e apostaram forte nos atletas formados no Seixal. Segundo o “Record”, Jorge Jesus tem feito frente a Vieira nessa questão, aplicável aos jovens do Benfica Campus e aos que estão emprestados

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JOSE MANUEL RIBEIRO

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O Benfica está a começar a preparar a próxima época, ainda que a classificação final da Liga vá ser crucial para perceber o que se pode e o que não se pode fazer. A presença na Liga dos Campeões será extremamente relevante para perceber o orçamento disponível.

Independentemente disso, o presidente do Benfica iniciou uma espécie de “guerra” com Jorge Jesus por causa da aposta (ou não) em jogadores formados no clube, estejam eles ainda no Seixal ou emprestados a outros clubes. Vieira parece ter acordado novamente para o tema que era prioritário nos dias de Vitória e de Lage e que, com o regresso de Jesus, parecia ter passado para segundo plano. Afinal, não.

Segundo o “Record”, Jesus acha que os jovens que se encontram ainda na fase de formação não têm experiência suficiente para representarem a equipa principal, o que não é de todo disparatado por ser tão óbvio: se eles fossem experientes, talvez não estivessem na formação.

Por outro lado, Jesus tem também dúvidas em relação aos jogadores que foram emprestados a outros clubes. Neste caso, o treinador do Benfica recorre às estatísticas para mostrar que esses jovens têm sido pouco utilizados. O técnico de 66 anos considera que o plantel precisa de jogadores experientes. Jesus diz mesmo que a aposta em jovens antes do tempo pode mesmo ser prejudicial para eles.

Prejudicial para o clube pode ter sido o investimento recorde feito pelo Benfica para agradar a Jesus. Depois de gastar mais de 100 milhões de euros em contratações, a SAD benfiquista vai ter de se contrair. Segundo o “Record”, nesta altura, a preocupação do clube é, tal como em muitas outras equipas, reduzir a massa salarial. A ordem é para fazer regressar os emprestados e olhar para o que existe “dentro de casa”.

Luís Filipe Vieira afirmou: “Felizmente para o Benfica, está outra fornada a sair. Essa fornada tem de vir cá para cima”. O presidente referiu dois nomes em concreto: Florentino e Gedson, que já têm bastantes jogos pela equipa principal. Na entrevista que concedeu ao canal do clube, Vieira disse que “foi bom esta crise ter sucedido para reavivar a memória aos benfiquistas”.

Aparentemente, Jorge Jesus não concorda com a mudança de rumo na política desportiva, sendo que esta era, a acreditar nos discursos do presidente, a filosofia seguida desde que Jesus deixou o Benfica e assinou pelo Sporting. A exceção terá sido o início desta época, em que o clube da Luz fez um esforço inédito para convencer Jesus a regressar a Lisboa.

Em relação aos jogadores emprestados e que até já tiveram bastante protagonismo na equipa principal do Benfica, é inegável que muitos deles não estão a ser tão utilizados como o clube de origem gostaria. Ferro está no Valência desde janeiro e fez apenas dois jogos, um deles como titular. No Mónaco, Florentino fez oito jogos. Já Gedson pode ter beneficiado com a troca do Tottenham pelo Galatasaray, enquanto Tomás Tavares tem sete jogos pelo Farense, depois de meia época nos espanhóis do Alavés.