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Paulo Sousa ao "The Guardian": "Os grandes jogadores polacos são avançados. Temos de os alimentar"

Desde o final de janeiro, Paulo Sousa é o selecionador da Polónia. O “The Guardian” refere a carreira “dourada” enquanto jogador por oposição ao percurso “itinerante” como treinador. Em Inglaterra, treinou o Queens Park Rangers ou o Leicester. No País de Gales, orientou o Swansea. Ganhou prestígio na Fiorentina. Agora, o projeto é polaco e a palavra-chave é “ataque”

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Paulo Sousa, formado no Benfica enquanto jogador, polémico na transferência para o Sporting, brilhou na Juventus e no Borussia de Dortmund. Fez parte de uma geração dourada ao lado de Figo ou Rui Costa e, dos três, foi o único a abraçar uma carreira de treinador.

O agora selecionador da Polónia foi entrevistado pelo “The Guardian”, a propósito do jogo entre polacos e ingleses. A caminho de Varsóvia, o português fez um desvio. “A nossa primeira ligação foi, como é óbvio, com Robert Lewandowski, o capitão. Antes de virmos para a Polónia, passámos pela Alemanha para vê-lo e pedir-lhe algumas opiniões, como é que ele vê a seleção, o futuro…” No hotel do aeroporto de Munique, selecionador e estrela da equipa estiveram à conversa.

Antes do início da pausa para os jogos das seleções, com a visita dos polacos a Wembley, Paulo Sousa teve muito pouco contacto com os seus jogadores. Exceto Lewandowski, claro, mas esse ficará fora do jogo por lesão. “Vi sete jogos ao vivo em Itália, onde alguns dos nossos jogadores atuam. Apenas a Itália nos permitiu ir ver jogos e, ainda assim, não todos. E vi outros dois jogos na Polónia,” contou o técnico português.

De resto, toda a comunicação foi feita através de plataformas digitais. Um desafio para Paulo Sousa, que nunca treinou uma seleção e nunca trabalhou na Polónia. “Agora, ele tem o cargo mais importante de uma nação obcecada por futebol, com 38 milhões de habitantes, e conseguiu criar uma base para a campanha de qualificação para o Mundial através do Zoom,” diz o jornal inglês.

A primeira tarefa de Sousa, com a sua equipa técnica, foi “escolher um grupo de 45, 50 jogadores e segui-los sistematicamente,” analisando vídeos dos seus jogos, calculando como se podem integrar no modelo de jogo. Depois vieram os “Zooms”.

Paulo Sousa não fala polaco mas, como refere o “The Guardian”, é fluente em inglês, espanhol, francês e italiano, para além do português, claro. “O inglês tem sido a língua franca, com todos os jogadores a conseguirem comunicar na língua de Shakespeare, a diferentes níveis.

A situação é complexa e um pouco estranha, mesmo que o português fale do “patriotismo” e da “abertura aos seus métodos” por parte dos jogadores. Paulo Sousa fala com a confiança de quem foi contratado por telefone, pelo presidente da Federação Polaca de Futebol, fã do trabalho do português na Fiorentina, que acabou a época 2015/16 em quinto lugar na Serie A.

Nos seus tempos de jogador, Paulo Sousa venceu duas Ligas dos Campeões seguidas: em 1996, com a Juventus e em 1997, com o Borussia de Dortmund. “A melhor parte do futebol é a que acontece no relvado. (…) Por trás ou por fora disso, não é a mesma coisa.”

Fazendo um pequeno exercício de memória, Sousa lembra que “tecnicamente” o melhor jogador com quem jogou foi Roberto Baggio. Já como adversário, o técnico escolhe Zinedine Zidane mas não esquece os compatriotas: “Tínhamos o Luís Figo e o Rui Costa”. “Outra pessoa que tenho sempre na minha cabeça e no meu coração é o Gianluca Vialli,” confessa.

Olhando para o seu grupo de jogadores, Sousa reconhece que há mais qualidade lá à frente, no ataque, principalmente com Lewandowski, mas também com Milik, do Nápoles e Piatek, do Hertha de Berlim. Na baliza, dois gigantes lutam pela titularidade: Szczesny, da Juventus, e Fabianski, do West Ham. Paulo Sousa tem optado pelo primeiro. Mas regressemos ao ataque.

“Na Polónia, os grandes jogadores são avançados. Temos de os alimentar. A ideia que eu tenho sempre é a de ver a minha equipa a dominar com a bola. Jogadores que sabem como fazer certas pausas e acelerações durante o jogo mas, principalmente, criar oportunidades a partir dos corredores laterais e do centro,” explica o selecionador da Polónia.