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O “The Guardian” revisitou a vida de Sérgio Conceição: há um episódio “feio”, fé, competência e solidariedade

O jornal “The Guardian” destaca Sérgio Conceição pela forma como construiu uma “equipa dura” com poucos recursos financeiros e pelo “feitio explosivo” que mostrou no “contratempo” com Paulo Sérgio, treinador do Portimonense

Carlos Luís Ramalhão

Octavio Passos

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A imprensa britânica costuma fazer os possíveis para moralizar os clubes compatriotas nas provas europeias. Normalmente são artigos a destacar “monstruosidades” dos adversários. Sendo um jornal com nível, o “The Guardian” não foge à regra e analisa o FC Porto, adversário do Chelsea, a partir do banco. E digamos que o feitio de Sérgio Conceição lhes dá uma ajuda. Apesar de tudo, também há espaço para o elogio.

O jornal começa por dizer que alguns dos clubes presentes nos quartos de final da Liga dos Campeões “tiveram dificuldades esta semana em focar-se nos assuntos domésticos, esta semana, mas isso não foi um problema para o treinador do FC Porto”.

No artigo, refere-se o Sporting “invicto”, à distância no comando da Liga Portuguesa, “fazendo com que o Porto dificilmente mantenha o título”. Portanto, o jogo com o Chelsea – “um clube com o qual os campeões portugueses têm mantido fortes ligações desde que José Mourinho se mudou para Londres pela primeira vez, em 2004 – deveria ter dominado os títulos dos jornais.

“Em vez disso, Conceição esteve a apanhar do chão as peças do mais recente episódio em que o seu temperamento explosivo veio à tona.” Fala-se do incidente entre o treinador do FC Porto e Paulo Sérgio, do Portimonense. O jornal repete as palavras do próprio Conceição que, justiça lhe seja feita, traz sempre a bonança no bolso para o caso de haver tempestade. Sobre o incidente, o técnico disse que “passou as linhas do aceitável”. Os dois treinadores viram cartões vermelhos.

O “The Guardian” admite que “a maioria dos europeus creem que o Chelsea tem um jogo de sonho contra o FC Porto,” no sentido em que será canja derrotar o campeão português. Há uma espécie de aviso aos londrinos e a Thomas Tuchel, o seu comandante. E é bom que haja. Particularmente no caso dos Dragões, a arrogância dos grandes europeus não costuma correr bem quando defrontam a equipa aguerrida – aí reside a sua força – das Antas.

O jornal inglês faz referência a um outro lado de Conceição, o oposto das guerrilhas e confusões em que se envolve desde os tempos de jogador. Citando a entrevista que o técnico deu ao programa “Primeira Pessoa”, da RTP, o “The Guardian” refere a frase: “O Porto é a minha casa e Deus é o meu ídolo,” dita por Conceição na referida entrevista. O lado solidário do treinador do FC Porto também é tratado, quando se diz que Sérgio Conceição doou uma “mercearia” de produtos a cada uma de 10 famílias em dificuldades. O projeto chama-se “Do Futebol Para a Vida” e envolve Bruno Fernandes e Paulo Futre, entre outros.

Voltando à bola, o “The Guardian” elogia o trabalho de Sérgio Conceição e lembra que “o futebol mudou” desde que Mourinho ganhou a Liga dos Campeões pelos Dragões em 2004. “Prolíficos e bem-sucedidos vendedores na era pós-Mourinho, ficaram atrás do rival Benfica na capacidade de explorar o mercado nos últimos anos.” Com os gastos controlados pelo Fair Play Financeiro, têm resgatado jogadores emprestados e comprado pouco. Os milhões que podem chegar se o FC Porto vencer o Chelsea serão sempre muito bem-vindos.