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Os quatro pontos do documento secreto da Superliga Europeia

O “The Guardian” descobriu um documento não publicado no código escondido do novo site da Superliga Europeia. A informação, entretanto revelada pelo jornal inglês, procura justificar a controvérsia dizendo que a nova competição de clubes vai dar aos adeptos “o que eles querem”

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Ed Woodward e Khaldoon al-Mubara, vice-chairman e chairman dos gigantes Manchester United e Manchester City, dois dos 12 clubes fundadores da Superliga

OLI SCARFF

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O documento revelado descreve quatro pontos-chave da controversa Superliga que junta 12 clubes milionários e alguns convidados menos endinheirados (ou não). A polémica estalou no fim de semana e originou uma guerra entre as instituições tradicionais do futebol (UEFA e FIFA), os clubes excluídos, os adeptos e mesmo alguns protagonistas do desporto, como Jurgen Klöpp, Bruno Fernandes, James Milner, entre outros.

O primeiro ponto tem a ver com “exceder as expetativas dos adeptos”. Pode ler-se: “O nosso objetivo é dar aos adeptos o melhor futebol possível ao mesmo tempo que damos acesso aos clubes que se qualifiquem ao entusiasmo da competição e à manutenção de um forte compromisso com o mérito desportivo”.

De seguida, os fundadores do projeto referem a “solidariedade e a sustentabilidade”. Prometem “bilhetes com preços acessíveis” e o “reinvestimento na pirâmide futebolística através de contínuos e substanciais pagamentos solidários”. O documento acrescenta: “Os pagamentos solidários da Superliga vão crescer automaticamente com os lucros da prova e serão três vezes maiores do que os pagamentos feitos nas atuais competições europeias”.

Em terceiro, vem o “compromisso com as ligas domésticas”. “A nova Superliga foi concebida à volta do princípio de manter as ligas locais fortes e entusiasmantes e nós iremos continuar a competir todos os fins de semana nas nossas competições nacionais, como temos feito,” explica o documento.

Finalmente, o quarto ponto diz respeito à abertura da Superliga a novas ideias, ou seja uma “aceitação da mudança”. “A estrutura de gestão da Superliga foi desenhada para nos permitir a adoção e incorporação rápidas de novas ideias na competição. Sejam mudanças nos formatos de distribuição da transmissão dos jogos, implementação de formas tecnológicas de regular a competição ou o desenvolvimento dos jogadores, não podemos continuar a contar com organismos externos para fazer com estas áreas progridam,” explicam.

Entretanto, em Inglaterra, um dos países mais envolvidos na criação da Superliga, o Governo já apelou aos clubes que não adiram ao novo projeto. O próprio primeiro-ministro, Boris Johnson, falou a várias cadeias de televisão sobre o assunto, mostrando-se veementemente contra a nova competição milionária.