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Superliga. Florentino Pérez: "Mataram-nos com agressividade, mas não tenho medo de represálias. Quero salvar o futebol"

O presidente do Real Madrid e, até ontem, da Superliga Europeia, admite que está "triste e desiludido" pelos "insultos" que receberam os doze clubes que apenas queriam "salvar o futebol"

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Pérez, Agnelli e Bartomeu (respetivamente presidentes do Real Madrid e da Juventus e ex-presidente do Barcelona)

GERARD JULIEN

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Em entrevista à rádio Ser, Florentino Pérez admitiu a tristeza com tudo o que aconteceu nos últimos dias e considera que os clubes fundadores da Superliga não mereciam o que foi dito sobre eles. Afinal, eles só queriam salvar o mundo. O do futebol, pelo menos.

“Nós só temos de pensar nos adeptos. (…) O que Piqué disse é verdade. Gosto dele como jogador, pela carreira que construiu,” disse Pérez, num raro elogio a um elemento do Barcelona.

Quem não lhe merece elogios é Ceferin, presidente da UEFA: “Temos a obrigação de dialogar e ele não o fez bem. (…) Eu nunca me meti com ninguém e levo 20 anos (de futebol). O futebol é um desporto de valores. Isto há 30 anos era normal mas agora temos de dar o exemplo”. O líder do Real Madrid prosseguiu: “Quero um presidente educado, que não insulte. Tão simples como isso. (…) (Ceferin) tinha que dar o exemplo”.

De acordo com Florentino Pérez, apesar das aparentes desistências de 10 dos 12 clubes fundadores da Superliga – deixando, curiosamente, Real Madrid e Barcelona de mãos dadas – continuam todos no mesmo barco. “Ninguém pagou a penalização. Não se precipita a saída deste projeto. Havia um clube que não tinha muito interesse mas assinou um contrato.” Pérez recusou-se a divulgar qual era a “penalização”.

Florentino continua convencido de que os adeptos do Real Madrid veriam com bons olhos a participação do clube na Superliga porque “não são tontos”. “Se lhes disseres que, a meio da semana, jogamos as grandes equipas, de certeza que eles prefeririam.”

Segundo o dirigente, “é impossível que haja grandes contratações se o dinheiro não fluir” e insiste: “Vamos continuar a trabalhar nesta Superliga”. Isto apesar do dramatismo com que diz: “Mataram-nos com uma agressividade terrível. Não esperávamos. Quando tudo isto passar e voltarmos à realidade veremos o que acontece. Os clubes vão perder mais de dois mil milhões”.

Em relação às ameaças da UEFA, Pérez diz: “Não temo nenhuma represália. Fiquei preocupado quando o presidente da UEFA falou do fair-play financeiro. É fundamental e deve ser rigoroso, inflexível”.

O presidente do Real Madrid admite que trabalharam no projeto da Superliga durante “três anos”. Pérez diz que a “La Liga é intocável”. “É a meio da semana que podemos ir buscar dinheiro. O formato da Liga dos Campeões está obsoleto e só tem interesse a partir dos quartos de final.”

Quanto à ausência de clubes franceses – leia-se PSG – e alemães – leia-se Bayern de Munique – o líder do projeto não é claro e diz apenas que os 12 poderiam acolher outras equipas na competição. Já no que diz respeito aos clubes ingleses – metade dos fundadores – o presidente do Real Madrid diz que “os donos dos (clubes) ingleses são americanos e estão encantados com a modalidade”.

Florentino Pérez queixa-se da “campanha manipulada” contra a Superliga e os seus fundadores. “Disseram que íamos acabar com o futebol. Há pessoas que têm privilégios e não querem perdê-los. Nunca vi uma agressividade tão grande da parte do presidente da UEFA. Ameaças e insultos. Como se tivéssemos matado alguém. É preciso salvar o futebol,” diz o presidente do Real Madrid.