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Superliga. "Isto é horroroso. Florentino quer um presidente que lhe obedeça": os bastidores do processo, contados pelo líder da UEFA

A Superliga Europeia abalou as relações entre os clubes, revoltou adeptos, jogadores e treinadores, perturbou a estabilidade das instituições e meteu políticos ao barulho. E nunca ouvimos o presidente da UEFA falar com tamanha agressividade. Tudo em 48 horas

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Lukas Schulze - UEFA

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Aleksander Ceferin, presidente do organismo máximo do futebol europeu, considera que o líder do Real Madrid e do projeto da Superliga “pretende que o oiçam e façam o que ele pensa”. “Eu trato de fazer aquilo que penso ser bom para o futebol europeu,” diz.

Em entrevista ao site esloveno “24ur.com”, Ceferin é claro: “Na minha opinião, a Superliga nunca existiu. Foi uma intenção de criar uma liga fantasma de ricos que nunca seguiria nenhum sistema, não seguiria a pirâmide do futebol na Europa, as tradições, a cultura, a história”. Ceferin diz que já sabia que o projeto ia falhar: “Deem-me 24 horas e esta liga deixará de existir”.

O presidente da UEFA diz que o falhanço do projeto aconteceu por várias razões: “Em primeiro lugar, a nossa declaração, juntamente com as das ligas e de outros clubes. (…) Isso foi domingo à tarde. À noite, saiu o comunicado a anunciar a criação desta liga. De manhã tivemos um comité executivo e aprovamos todas as alterações. (…) Depois houve a reação de Boris Johnson e do presidente francês. Mas a maior contribuição foi dos adeptos”.

“Temos andado a falar com os clubes sobre o futuro da Liga dos Campeões depois 2024. São 247 os emblemas que integram a Associação de Clubes Europeus,” revelou o líder da UEFA. De acordo com Ceferin, o presidente da Juventus, Andrea Agnelli, assinou dois documentos: um aprovava as alterações propostas pela UEFA e o outro rivalizava com este e apoiava a criação da Superliga. O homem que dirige os destinos do futebol europeu reage dizendo: “Talvez tenha sido ingénuo mas prefiro ser ingénuo do que mentiroso”.

“Na verdade, parece-me horroroso que, sendo tu enormemente rico, o benefício signifique tanto para ti que deixem de se aplicar quaisquer valores. Podem ser ditas falsidades, pode-se, sem que os jogadores e treinadores saibam, simplesmente levá-los para outra competição,” declarou Ceferin, para depois citar uma conversa com uma lenda do futebol europeu: “Zvonimir Boban disse-me que assinou pelo AC Milan porque queria ganhar a Liga dos Campeões. Não teria assinado se estivéssemos a criar umas ligas fantasma que apenas satisfazem um certo número de (clubes) ricos”.