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Manchester United obrigado a reforçar a segurança do centro de treinos para impedir a entrada de adeptos em fúria

A equipa de Bruno Fernandes, um dos seis clubes ingleses que aderiram inicialmente à Superliga Europeia, está debaixo de fogo por parte dos adeptos. Apesar de o Man United ter saído do grupo (tal como a maioria dos clubes, que deixaram Real Madrid e Barcelona sozinhos), os adeptos continuam chateados com a situação. Tanto o treinador como os jogadores receiam as consequências

Carlos Luís Ramalhão

Matthew Peters

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O Manchester United decidiu fortalecer a segurança à volta do centro de treinos. Tudo para impedir a entrada de adeptos que queiram protestar, uma vez que ainda há muito fãs dos Red Devils que não perdoaram a adesão do clube ao grupo da Superliga Europeia.

O clube de Old Trafford foi um dos seis da Premier League a assinar o compromisso de criar a Superliga. Apesar de ter deixado o grupo, juntamente com os outros cinco de Inglaterra e a esmagadora maioria dos outros clubes (exceto Real Madrid e Barcelona), os fãs não perdoam aos proprietários do Manchester United o facto de não terem ouvido adeptos, jogadores e treinador antes de tomarem a decisão.

Os irmãos Glazer nunca foram muito apreciados pelos adeptos do Manchester United. Há uma desconfiança sempre presente sobre as posições dos americanos. Um grupo de adeptos chegou mesmo a criar um outro clube, o United of Manchester, em protesto contra a compra dos Red Devils pelos Glazer.

A adesão à Superliga poderá não ser ainda a gota que faz transbordar o copo mas fez tremer o histórico clube, com manifestações constantes de descontentamento por parte dos seus exigentes fãs. Alguns conseguiram mesmo entrar à força no centro de treinos de Carrington, tendo chegado a confrontar Ole Gunnar Solskjaer, treinador e antiga lenda do clube enquanto jogador.

A questão mais colocada pelos fãs a Solskjaer foi porque é que o norueguês não fala sobre a Superliga, como fizeram outros treinadores da Premier League e pela Europa fora. O grupo de 20 adeptos ficou conhecido pelo ataque à casa de Ed Woodward, então vice-presidente do clube, em janeiro do ano passado, e pertence aos chamados “Men in Black”.

Soskjaer foi abordado quando seguia de carro mas acabou por sair e enfrentar os adeptos. Juntaram-se-lhe o diretor técnico, Darren Fletcher, e o treinador adjunto Michael Carrick, ambos ex-jogadores do clube. Também o ex-Benfica Nemanja Matic se juntou aos outros profissionais dos Red Devils, sob condição de a conversa entre estes e os adeptos não ser gravada.

O “Daily Mail” revela ainda que as estrelas do Manchester United ficaram chocadas com a facilidade com que os fãs forçaram a entrada no centro de treinos. O grupo exibia cartazes com palavras de ordem, maioritariamente dirigidas aos proprietários do clube. Um adepto segurava um cartaz em que se lia “Nós decidimos quando é que vocês jogam”.

O confronto com Solskjaer poderá ter a ver com algo que aconteceu quando o norueguês ainda marcava golos pela equipa. Em 2005, “Baby Face”, como era conhecido o norueguês, assinou um manifesto contra a compra do clube pelos Glazer, ou seja, os seus atuais patrões.