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Cantona é o terceiro a entrar para o Passeio da Fama da Premier League. "Estou muito feliz e orgulhoso mas não surpreendido"

O francês é uma lenda do Manchester United e da Premier League, reconhecido pelo bom futebol e pela imodéstia. Depois do compatriota Thierry Henry, ídolo do Arsenal, e de Alan Shearer, que brilhou no Blackburn Rovers, no Newcastle e na seleção inglesa, é a vez do antigo avançado dos Red Devils ser homenageado pela Premier League

Carlos Luís Ramalhão

OLI SCARFF

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Se há clube ao qual não faltam lendas é o Manchester United. Não apenas porque, ao longo da história, passaram pelos Red Devils muitos jogadores carismáticos.George Best, Bobby Charlton, Peter Schmeichel, David Beckham, Ryan Giggs, Roy Keane, Cristiano Ronaldo, entre muitos outros. Alguns, para além do futebol praticado em campo, mostraram uma personalidade forte e por vezes controversa. O senhor de que falamos entra nessa categoria.

Desde que a Premier League introduziu o “hollywoodesco” Passeio da Fama da Premier League, foram homenageados três jogadores, contando com Eric Cantona. Os dois anteriores, não sendo de modo algum de categoria inferior à do francês, não tinham metade da sua imodéstia.

Thierry Henry, também francês, brilhou no Arsenal e deixou saudades entre os adeptos, que o idolatram como a mais nenhum que tenha passado pelo clube do Norte de Londres. Alan Shearer é um dos maiores goleadores de sempre do futebol europeu. Nunca enveredou por uma experiência no estrangeiro mas também não precisou dela para ser considerado uma lenda. As exibições ao serviço do Blackburn Rovers, do Newcastle e da seleção inglesa, particularmente durante o Euro 96, curiosamente disputado no seu país, fizeram de Shearer um símbolo, celebrando cada golo de braço levantado.

Chegou, portanto, a vez de Cantona que, ao contrário de Shearer e Henry, nunca teve verdadeiras oportunidades de mostrar o que valia ao serviço do seu país, principalmente por dificuldades de relacionamento com o selecionador Aimé Jacquet. Assim, Cantona não foi campeão do mundo em 98 e tem, acima de tudo, as atuações ao serviço do Manchester United para mostrar. Isso e a camisola vermelha com os colarinhos virados para cima. Pela negativa, fica na memória do ano de 1995 a agressão a um adepto do Crystal Palace que, da bancada, insultava o marselhês. Recentemente, Cantona voltou a falar do episódio, não mostrando qualquer arrependimento.

Quanto aos números, Cantona marcou 70 golos em 156 jogos na Premier League e foi quatro vezes campeão. Sobre a sua nomeação, o francês disse: “Estou muito feliz e orgulhoso mas, ao mesmo tempo, não estou surpreendido”. Ou seja, Cantona continua a ser Cantona. Há que finalizar dizendo que o inteligente e culto Eric se mudou do futebol para o cinema, principalmente como ator, e tem casa em Lisboa.