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A menos de dois meses de Tóquio, a incerteza aumenta. Jornal japonês pede que os Jogos Olímpicos sejam cancelados

O jornal "Asahi Shimbun", patrocinador das Olimpíadas de Tóquio, pede que a saúde pública seja prioritária e não a glória olímpica. A atmosfera permanece incerta na capital nipónica, o que está a deixar as comitivas à volta do mundo com os nervos em franja

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Kim Kyung Hoon

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Um dos maiores jornais japoneses pediu às autoridades que cancelem os Jogos Olímpicos de Tóquio. O “Asahi Shimbun” avisa que os Jogos, neste momento, são uma ameaça à saúde pública e colocarão uma pressão ainda maior nos serviços de saúde do país, o que pode tornar-se incomportável.

Num editorial publicado hoje, quarta-feira, o jornal, que é também parceiro mediático do evento, pede ao primeiro-ministro, Yoshihide Suga que “calma e objetivamente analise a situação e decida acerca do cancelamento dos Jogos deste verão”.

Segundo o “The Guardian”, o “Asahi” é a primeira de várias organizações ligadas à comunicação social japonesa, listadas como patrocinadores oficiais de Tóquio 2020 a pedir o cancelamento do evento desportivo mais importante do mundo. Faltam menos de dois meses para a cerimónia oficial de abertura.

A edição matinal do jornal nipónico tem uma circulação de cinco milhões de cópias, lembrou a visível oposição pública às Olimpíadas e criticou o Comité Olímpico Internacional (COI) pela insistência em seguir com os Jogos. O COI estará a ignorar a situação provocada pelo novo coronavírus no Japão.

Sondagens recentes mostram que 83% dos japoneses não querem que os Jogos Olímpicos se realizem. Muitos temem a chegada de aproximadamente 80 mil juízes, jornalistas e assistentes, que podem transformar Tóquio 2020 num evento de contágio massivo.

Organizações representativas de médicos e enfermeiros alertam para a necessidade de haver uma prestação de cuidados inédita. Tóquio e outras nove áreas do país estão em estado de emergência desde o mês passado, em resposta a um surto relacionado com novas variantes do vírus. Tem havido críticas ao ritmo lento da vacinação no país.

O “Asahi” diz compreender a vontade dos atletas, que treinam há anos para estarem presentes no evento. No entanto, a publicação acrescenta que a saúde pública tem de ser prioritária. “Não deixem que as Olimpíadas sejam uma ameaça,” pode ler-se.