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Zinedine Zidane escreveu uma carta aos adeptos do Real Madrid: "Saio porque o clube não me dá a confiança de que preciso"

O antigo jogador do clube terminou a segunda passagem pelo Real Madrid enquanto técnico. Respeitado por todos, o francês escreveu uma surpreendente carta aos adeptos, com duras críticas aos dirigentes do clube. "De certa forma até fui censurado," diz Zidade, que pede que se respeite o que ele e o Real Madrid fizeram juntos

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Dean Mouhtaropoulos

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Zidane é uma lenda do Real Madrid. O seu lugar na memória dos adeptos está assegurado, tanto enquanto jogador como, mais recentemente, como treinador. No entanto, de saída do clube, o francês pede respeito pela memória.

No jornal desportivo “AS”, o agora ex-técnico do Real publicou uma carta aberta aos adeptos, revelando sem papas na língua o que o levou a deixar – com mágoa – o comando técnico do clube. Lembre-se que a saída de Zidane foi oficializada na passa quinta-feira.

“Saio porque sinto que o clube já não me dá a confiança de que preciso, não me dá o apoio para construir algo a médio ou longo prazo,” diz o técnico. Zidane afirma que, no Real Madrid, há uma coisa muito importante que foi esquecida: “Tudo o que construí no dia-a-dia e no relacionamento com os jogadores”.

O francês de origem argelina lembra que é “um vencedor nato” e, no Real Madrid, o seu objetivo era “conquistar troféus”. “Mas acima disso estão os seres humanos, as emoções, a vida, e tenho a sensação de que essas coisas não foram valorizadas,” desabafa Zidane. “De certa forma, até fui censurado,” acrescenta, pesaroso, o ex-técnico do Real Madrid.

Zidane não receia falar da degradação da sua relação com Florentino Pérez: Preferia que nos últimos meses a minha relação com o clube e com o presidente tivesse sido um pouco diferente da de outros treinadores. Não pedia privilégios, apenas um pouco mais de memória”.

O antigo campeão do mundo pela França analisa a esperança média de “vida” de um treinador num clube grande: “Duas temporadas, não muito mais. Para durar mais, as relações humanas são essenciais, são mais importantes que o dinheiro, que a fama, que tudo”.

O francês sentiu-se magoado quando leu nos jornais, depois de uma derrota, que o iam “despedir se não ganhasse o próximo jogo” e não tem dúvidas de que “essas mensagens” foram “passadas intencionalmente para a comunicação social, para provocarem interferências negativas na equipa”.