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A reabilitação da carreira de Renato Sanches no Lille e ao serviço da seleção não escapou à imprensa inglesa

Quando deixou o Benfica e rumou ao Bayern de Munique, o "miúdo" Renato ia de peito inchado, depois de uma época gloriosa na Luz. Hoje, é o próprio a admitir que saiu cedo do ninho da águia. No entanto, Renato cresceu e reencontrou no Lille o seu lugar no futebol. Tanto que mereceu um artigo inteiro no jornal inglês "The Guardian"

Carlos Luís Ramalhão

CARLOS COSTA/Getty

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De acordo com Andy Hunter, por estes dias correspondente do “The Guardian” em Budapeste, “a defesa do título por parte de Portugal será reforçada se a carreira de Sanches continuar a evoluir no Euro 2020”. O jornalista considera que, frente à Hungria, Portugal teve “84 minutos de ansiedade” e foram as substituições a dar à seleção nacional – e a Cristiano Ronaldo, em particular – a plataforma para conseguir os três pontos.

Rafa Silva merece fortes elogios da parte do inglês, tendo tido “uma influência decisiva nos três golos portugueses” e merecendo uma oportunidade no onze inicial frente à Alemanha, no sábado.

“Talvez Sanches não tenha essa oportunidade em Munique, mesmo que também tenha estado envolvido em todos os golos, com passes rigorosos, inteligentes, que contribuíram para Ronaldo fazer o seu jogo,” escreve o jornalista, acrescentando que até o passe para o lance que deu origem ao penalti e ajudou o capitão português a ultrapassar Michel Platini, tornando-se o melhor marcador de sempre em europeus, partiu de Renato Sanches.

Em Budapeste, aos 81 minutos, Fernando Santos apostou no médio campeão francês, “com João Félix sentado no banco”. “Foi uma recompensa pela lenta mas assertiva recuperação de uma carreira que esteve em perigo até Sanches assinar pelo Lille, em 2019.”

Hunter lembra que “há cinco anos, Sanches era a estrela em ascensão da equipa portuguesa que venceu o Euro 2016”. Na altura, o futuro prometia ser luminoso para o jogador que marcou o Benfica e foi atraído para os “monstros” da Bundesliga, ou seja, o Bayern de Munique. “Com um lucrativo, prematuro passo para a ribalta, tudo correu espetacularmente mal,” refere o repórter.

Renato teve poucas oportunidades em Munique. Mas é justo dizer que o jovem jogador nunca as aproveitou. Depois de um empréstimo com pouco sucesso aos galeses do Swansea, o ex-Benfica regressou ao Bayern e foi recebido por um novo treinador, o croata Niko Kovac, que não apreciou as birras do português por ficar no banco de suplentes a maior parte do tempo. Nessa fase, Sanches começava a parecer perdido, como diz o seu antigo treinador no Swansea, Paul Clement: “Ele estava muito pior do que eu pensava. Era muito triste. Ele era um rapaz com o peso do mundo nos seus ombros”.

Até que chegou o Lille e a luz ao fundo do túnel. “Sanches redescobriu a forma e a crença em França. A sua energia e criatividade foram um fator chave na equipa de Christophe Galtier” e no milagre que foi bater os milionários do PSG e vencer a Ligue 1. De acordo com o “The Guardian”, fala-se da possibilidade de uma nova mudança. “A experiência pode ensinar Sanchez a ter cautela,” diz o jornalista inglês, acrescentando que “antes, há uma reputação a reconstruir no Euro 2020”.