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Segundo o ex-presidente da Autoridade Antidopagem, "João Paulo Rebelo é uma pessoa manobrável e fundamental para este Governo”

Rogério Jóia afirmou, em entrevista ao jornal "Novo", que o membro do Governo responsável pela pasta desportiva, João Paulo Rebelo, é vital para aquele órgão porque os portugueses gostam "destas intrigas do futebolês". Jóia rebate as acusações feitas pelo atual presidente da ADoP, considerado próximo do governante, numa entrevista recente ao jornal "Record"

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João Paulo Rebelo, secretário de Estado responsável pelo Desporto

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Rogério Jóia foi o líder da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) antes de Manuel Brito, atualmente no cargo. O agora inspetor da PJ deu uma entrevista ao “Novo” para esclarecer a questão à volta do caso positivo do internacional português Pedro Gonçalves. Ao mesmo tempo, Jóia quis responder ao seu sucessor na ADoP que, em entrevista ao “Record” de 13 de junho, o acusou de ter especulado no caso das amostras roubadas de futebolistas de Benfica e Sporting. Antes da entrevista, Rogério Jóia assumiu ser sportinguista e fez questão de dizer que falaria ao jornal apenas na qualidade de antigo presidente da ADoP.

Quanto à acusação de Manuel Brito, que afirmou que o alegado furto de amostras provenientes de jogadores do Benfica e do Sporting “foi uma especulação que só responsabilizou o seu autor,” referindo-se a Rogério Jóia, este responde: “Ele tem de explicar por que saíram de Portugal ‘x’ amostras e chegaram a Ghent ‘x’ amostras menos. Isso está provado”.

É nesse momento que Jóia inclui o secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, na conversa: “A menos que estas amostras voassem como voaram os milhares de euros que o Dr, João Paulo Rebelo, antes de ser secretário de Estado, enquanto presidente da Movijovem, fez voas para o Grupo Lena pelo pagamento de obras que não foram feitas”. Acrescente-se que foi João Paulo Rebelo, já no Governo, a nomear Manuel Brito.

A propósito de o atual presidente da ADoP ter dito que o secretário de Estado endereçou “uma palavra simpática” à direção daquela autoridade, em relação ao caso Pedro Gonçalves, Rogério Jóia responde que teria feito o mesmo no lugar de João Paulo Rebelo. “O senhor secretário de Estado está numa situação complicada. (…) O povo português gosta destas intrigas do futebolês. (…) Por isso, o Dr. João Paulo Rebelo é fundamental para este Governo,” afirmou Jóia.

Em relação ao teste positivo de Pedro Gonçalves, Manuel Brito considera, baseando-se no que diz a Agência Mundial Antidopagem, que é preciso ouvir o atleta antes de o suspender. Mas Rogério Jóia questiona o número de atletas suspensos que foram previamente ouvidos pela ADoP desde que Brito assumiu a presidência. “Se víssemos, desde o princípio da ADoP o tratamento dado a casos similares, em que o atleta pode jogar se a introdução for feita por via intra-articular, desta substância e de outras, chegaríamos a conclusões lindíssimas,” ironiza o antigo presidente daquela autoridade, acrescentando o desejo “de ver se as pessoas que agora falam em bom senso sempre tiveram essa opinião”.