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Depois dos cartazes húngaros anti-LGBTI+, Munique quer iluminar o estádio com as cores do arco-íris

Depois de alguns adeptos húngaros terem exibido slogans homofóbicos nas bancadas do Puskas Arena, a Alemanha quer fazer passar a mensagem inversa, de apoio à comunidade LGBTI+. A cidade de Munique estuda a possibilidade de iluminar o estádio com um arco-íris e o capitão da seleção alemã, Manuel Neuer, tem usado uma braçadeira com essas cores

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ANDREAS GEBERT

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Ao mesmo tempo que a UEFA está a investigar os incidentes “potencialmente discriminatórios” contra a comunidade LGBTI+, provocados por adeptos da seleção húngara frente a Portugal e a França, a Alemanha quer dar uma imagem diferente, de tolerância.

A atitude hostil face à comunidade LGBTI+ não acontece por acaso. O Governo húngaro, populista e de extrema direita, aprovou no parlamento uma medida que desautoriza a passagem, nas escolas, de material que “promova” a homossexualidade e a mudança de género. A lei foi imediatamente condenada por diversas organizações ligadas à luta pelos direitos humanos e também pela oposição húngara.

Na Alemanha, pretende-se transmitir a imagem exatamente contrária. O presidente da câmara de Munique, Dieter Reiter, já anunciou que vai pedir autorização à UEFA para iluminar o Allianz Arena com as cores do arco-íris, precisamente para o jogo que oporá a seleção germânica à congénere húngara, na quarta-feira.

“É um símbolo importante, de tolerância e igualdade,” disse Reiter à agência noticiosa DPA. “É importante que a capital estadual, Munique, dê um sinal visível de solidariedade para com a comunidade LGBTI+ na Hungria, que sofre neste momento com a legislação homofóbica e transfóbica,” disse um comunicado da autarquia bávara.

Não será a primeira vez que a fachada do estádio de Munique irá assumir as cores do arco-íris. A situação mais recente ocorreu em janeiro, num jogo da Bundesliga entre Bayern e Hoffenheim, numa campanha para promover a tolerância e a diversidade no futebol e não só.

O guarda-redes Manuel Neuer, capitão da seleção alemã e jogador do Bayern de Munique, tem usado nos jogos já disputados uma braçadeira com as cores do arco-íris, numa clara atitude de apoio à comunidade LGBTI+ e de protesto contra a lei aprovada pelo parlamento húngaro. Surgiram dúvidas acerca da atitude da UEFA em relação a Neuer, uma vez que a organização que rege o futebol europeu costuma torcer o nariz a manifestações consideradas políticas. No entanto, o organismo já anunciou que não vai castigar Manuel Neuer.

Uma investigação da UEFA chegou à conclusão de que a braçadeira é “um símbolo de diversidade e, portanto, uma causa positiva” e não “uma mensagem política” que normalmente resulta numa punição para a seleção em questão.