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A UEFA não autorizou a iluminação do Allianz Arena com as cores do arco-íris no Alemanha-Hungria. Motivo? "O contexto político"

Apesar de não tolerar a discriminação por qualquer motivo, o organismo que rege o futebol europeu não acha boa ideia ter as cores do arco-íris, habitualmente associadas à comunidade LGBTI+, no imenso painel luminoso do estádio de Munique. A UEFA entende que há uma mensagem política nesta ação e relembra que é “uma organização neutral política e religiosamente"

Carlos Luís Ramalhão

picture alliance

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“Racismo, homofobia, sexismo e todas as formas de discriminação são uma nódoa na nossa sociedade,” assim começa o comunicado em que a UEFA explica a razão para não permitir a iluminação solicitada pela autarquia de Munique.

A autoridade local tinha pedido à organização que rege o futebol europeu e, neste caso, o Euro 2020, que permitisse transformar o exterior do Allianz Arena num gigantesco arco-íris, numa homenagem à comunidade LGBTI+, que viu a sua liberdade andar para trás com a aprovação de novas leis discriminatórias pelo parlamento húngaro.

Ora, o objetivo do gesto era que a mensagem solidária fosse feita precisamente no encontro entre a Alemanha e a Hungria. A UEFA entende que há uma mensagem política nesta ação e relembra que é “uma organização neutral política e religiosamente”. “Tendo em conta o contexto político deste pedido específico, com uma mensagem dirigida à decisão tomada no parlamento húngaro, a UEFA tem de declinar este pedido,” lê-se no comunicado.

No entanto, o organismo propôs à cidade de Munique “iluminar o estádio com as cores do arco-íris no dia 28 de junho (Dia da libertação da Christopher Street) ou entre 3 e 9 de julho, a semana do Dia de Christopher Street”. Desconhece-se ainda a resposta por parte do presidente da câmara de Munique, um dos mais empenhados na mostra de solidariedade.