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Florentino Pérez, presidente de uma Superliga rejeitada pela maioria: "Estamos a tentar fazer com que o futebol não morra"

O presidente do Real Madrid é também o responsável máximo pelo controverso projeto da Superliga Europeia. Pérez diz que "as equipas inglesas foram coagidas pela FIFA" e continua a acreditar que a iniciativa é a única forma de salvar um futebol "moribundo"

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Pérez, Agnelli e Bartomeu (respetivamente presidentes do Real Madrid e da Juventus e ex-presidente do Barcelona)

GERARD JULIEN

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O presidente da Superliga, um projeto que, na sua máxima força, durou apenas 48 horas, acumula essa função com a liderança do Real Madrid. Apesar de a esmagadora maioria dos clubes fundadores ter abandonado o barco, Florentino Pérez continua a defender a competição.

Segundo Pérez, “na Superliga não falhou nada”. “Estávamos há dois anos a trabalhar com 12 equipas para evitar que algo moribundo, como o futebol, não morra,” diz de forma dramática o maior defensor da competição de elite.

O presidente do Real Madrid disse, numa entrevista à rádio espanhola “Onda Cero”, que “as audiências estão a baixar porque os jogos não têm interesse”. Pérez explicou: “Se não há audiência, os direitos televisivos baixam”.

Florentino Pérez rejeita a acusação de que a Superliga é um projeto elitista e argumenta: “Um Roma-Sampdoria tem menos interesse do que um Manchester United-PSG. (…) Quem manda são os adeptos. (…) Reunimos os clubes que têm mais adeptos no mundo porque são os que mais consomem na televisão. (…) Não se trata de uma liga fechada, é sim um projeto para ser comprado”.

Poucas horas depois de ter sido apresentada oficialmente, a Superliga Europeia começou a desmoronar-se. Os primeiros a deixar o projeto foram os ingleses Arsenal, Liverpool, Chelsea, Manchester United, Manchester City e Tottenham. Ou seja, a esmagadora maioria dos clubes fundadores. Pérez defende que as equipas inglesas foram “coagidas pela FIFA”.

“Assinaram um papel que não deviam ter assinado, uma vez que estão comprometidos com a Superliga. A UEFA já nos queria sancionar em tribunal mas não conseguiu. Agora, o tribunal do Luxemburgo vai decidir. Pedimos que retirassem as condições impostas aos clubes ingleses,” afirma o presidente, que revela não ter falado mais com o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin.

Florentino Pérez mantém a ideia de que o futebol está “moribundo”: “Há quem queira manter os privilégios enquanto o futebol morre”. Pérez lembra o exemplo do basquetebol: “Há uma Euroliga, foram os clubes que a criaram. Porque não pode ser assim no futebol?”.