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Gattuso só queria ser treinador da Fiorentina, mas Jorge Mendes quereria mais

Durou 23 dias o reinado de Gennaro Gattuso como treinador da Fiorentina. O insólito chegou ao outro lado do Atlântico, com o “New York Times” a referir a “influência pouco comum do superagente Jorge Mendes”. O motivo? As contratações que o técnico terá exigido ao clube de Florença

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O dono da Fiorentina desde 2019 contratou e despediu cinco treinadores até agora. No entanto, segundo o milionário americano de origem italiana, tinha acabado de encontrar o treinador certo para a equipa de Florença: Gennaro Gattuso. O dono do clube garantiu que seria tudo diferente. Gattuso iria trazer determinação, competência e ambição, para além de respeito e, acima de tudo, vitórias.

Nem os adeptos chegaram a pôr-lhe a vista em cima. 23 dias depois de ser contratado, o antigo internacional italiano deixou a Fiorentina. O entusiasmo com a chegada de Gattuso passou a um comunicado de duas linhas no site do clube.

Clube e treinador discordavam em muitos pontos, segundo fontes próximas do clube florentino ouvidas pelo "New York Times", que escreveu sobre o caso - dinheiro, controlo, jogadores. No entanto, essas mesmas pessoas apontam o dedo a um português: o empresário de Gattuso, um dos homens mais poderosos do futebol mundial, Jorge Mendes.

Segundo a notícia divulgada pelo “New York Times”, mal começou a trabalhar, Gattuso apresentou à direção do clube uma lista de três jogadores prioritários, que a Fiorentina deveria contratar. Os três futebolistas, bem conhecidos dos portugueses, eram representados por Jorge Mendes e jogavam em clubes que dependem de Mendes para conseguirem os melhores preços de jogadores que querem contratar.

Sérgio Oliveira e Jesus Corona, de 29 e 28 anos, respetivamente, atuam no FC Porto. O terceiro elemento é Gonçalo Guedes, formado no Benfica e atualmente no Valência. Os dois primeiros poderiam ser contratados se a Fiorentina pagasse 20 milhões de euros por cada um e depois acordasse pagar salários na ordem dos três milhões de euros por ano, em contratos de cinco anos, mediados por Jorge Mendes, claro.

Os números faziam pouco sentido para o clube de Florença. A pandemia arruinou as finanças de centena de clubes europeus e deixou muitos, incluindo o FC Porto, desesperados para equilibrar os orçamentos vendendo as suas principais figuras. A maioria dos clubes concorda que pagar muito dinheiro por jogadores perto da casa dos 30, num mercado incerto, faz pouco sentido.

A Fiorentina terá tentado convencer Gattuso a desistir dessas contratações, lembrando que outros talentos, mais jovens, estavam disponíveis. Mas, de acordo com as fontes do jornal americano, o treinador bateu o pé e manteve-se fiel às suas exigências.

O clube italiano terá procurado agradar ao novo treinador e começou a negociar com o FC Porto por Sérgio Oliveira, esperando fazer negócio por menos do que estava previsto. Mas o enviado da Fiorentina a Portugal regressou com a notícia de que os Dragões permaneciam inflexíveis. Jorge Mendes terá dito o menos, embora, pouco depois, tenha dito aos italianos que aceitaria baixar a sua comissão, paga pela equipa compradora.

Gattuso, Fiorentina e FC Porto recusaram comentar o caso. O que é certo é que as conversações com o clube das Antas terminaram sem acordo e o novo e promissor técnico da Fiorentina nem chegou a instalar-se no novo clube.

Quanto a Jorge Mendes, o empresário continua a espalhar a sua influência pelo futebol mundial, nem sempre da forma mais clara. É sabido que a Liga Chinesa, por exemplo, tem em Mendes um conselheiro que apresenta os jogadores segundo o que o organismo lhe pede.

A Fosun, empresa chinesa, é a dona do Wolverhampton, da Premier League, atualmente treinado por Bruno Lage, depois da saída de Nuno Espírito Santo. Ambos os técnicos são representados pelo superagente e os Wolves são o clube mais português de Inglaterra. Não será por acaso.