Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Queiroz recorda episódio insólito da final do Mundial sub-20 de 1991: "Antes dos penáltis, alguém se aproximou de mim e deu-me um amuleto"

Trinta anos mais tarde, o antigo selecionador nacional de sub-20 - e mais tarde da equipa principal - recorda a emoção, a glória e a diversão dessa noite quente em Lisboa. E um momento em que um estranho lhe passou alguma coisa para a mão e disse: "Vamos ganhar!". E ganhámos

Carlos Luís Ramalhão

Pioneiro. Carlos Queiroz conquistou o Mundial sub20 em 1989 e em 1991, introduzindo novos métodos de entender o jogo e o treino de futebol

Partilhar

Ainda se ouve a queda da seleção portuguesa de futebol sénior diante da Bélgica, no passado fim de semana. Hoje em dia espera-se mais da equipa que venceu o Euro 2016 e a Liga das Nações que se seguiu. No Mundial, caímos com dignidade e, mesmo agora, frente aos belgas, não fizemos má figura, apenas perdemos e sofremos as consequências da derrota: regressámos a casa e, a avaliar pelas declarações de Fernando Santos, mantivemos o foco no horizonte, onde está agora o Mundial do próximo ano.

Em 1991, a realidade era outra. Fazia alguma confusão olharmos para a seleção sub-20 e reconhecermos, sem o dizer em voz alta, que aqueles miúdos eram melhores do que os graúdos da seleção principal. Carlos Queiroz, o orientador da jovem equipa, acabava por ter mais protagonismo do que Artur Jorge, selecionador nacional, responsável pelo plantel principal da nação, e depressa ocuparia essa cadeira, sem o sucesso que o projetara com as camadas jovens.

Trinta anos depois, Queiroz deu a volta ao mundo, ora como técnico principal, ora como adjunto de Sir Alex Ferguson, ora como selecionador de muitas geografias diferentes. Mas o português nunca esqueceu a noite de 30 de junho de 1991 e, num tempo sem redes sociais, guardou uma memória para partilhar no seu Instagram, em 2021.

“Nesse dia, antes dos penáltis contra o Brasil, alguém se aproximou de mim (creio que um bombeiro), colocou-me uma espécie de amuleto na mão e disse-me que íamos ganhar,” conta o técnico, admitindo: “Acreditávamos muito no nosso trabalho, na nossa preparação e na nossa competência, mas cerrei a mão como se isso me fizesse acreditar ainda mais”. Conhecemos o resto da história: ganhámos, o que deixou Queiroz ainda mais ansioso por saber quem era aquela pessoa. “Gostava de encontrá-la.”.

Para Carlos Queiroz, aquele “anónimo, no fundo, representava o país que estava connosco”. Emocionado, o treinador agradece “aos grandes obreiros daquela vitória, os jogadores, bem como à equipa técnica e demais envolvidos”. No fim, antigo selecionador nacional não esqueceu as palavras bem-humoradas do seu adjunto de então: “Como dizia o meu ‘irmão’ Nelo Vingada, ganhávamos mal, mas divertíamo-nos à brava! Obrigado!”.