Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Eder e o golo à França: "Fez-me olhar para trás e ver que tudo o que passei, todo o trabalho, todo o sofrimento, valeu a pena"

Em entrevista ao "El País", Eder falou também sobre os desafios que sentiu para chegar a futebolista profissional, uma caminhada dificultada pelo facto de ter crescido sem os pais desde os seis anos. Viveu num orfanato, em Coimbra, até aos 18 anos. “Quando um menino não pode estar com a sua família todos os dias e ter alguém que o apoie, que lhe diga que tudo vai correr bem, as coisas são complicadas

Tribuna Expresso

Shaun Botterill - UEFA

Partilhar

Com um olhar implacável, como quem entrega o que não queria (ou temia largar), Eder levou a taça Henri Delaunay para o relvado de Wembley, para mais tarde premiar o novo campeão da Europa. Colocou-a no sitio devido, bateu continência à sua maneira e ali se despediu do pedaço de prata mais importante em que Portugal já tocou. Em entrevista ao “El País”, Eder falou sobre o golo e a infância difícil.

Aquele pontapé mudou a sua a vida?, perguntaram-lhe. “Foi muito importante. Fez-me olhar para trás e ver que tudo o que passei, todo o trabalho, todo o sofrimento, valeu a pena”, começou por dizer. “Esse golo é algo que mostra o meu caráter. Tudo o que passei na vida consegui colocar naquele remate. Os meus amigos dizem-me que fiquei para sempre na história de Portugal e isso é algo que me dá muito orgulho.”

Eder falaria então sobre os desafios que sentiu para chegar a futebolista profissional, uma caminhada dificultada pelo facto de ter crescido sem os pais desde os seis anos. Viveu num orfanato, em Coimbra, até aos 18 anos. “Quando um menino não pode estar com a sua família todos os dias e ter alguém que o apoie, que lhe diga que tudo vai correr bem, as coisas são complicadas. Essa é a parte mais difícil da minha história, mas graças a isso cresci muito e transformei-me no homem que sou hoje.”

Mais à frente na conversa, Eder admitira que o golo à França, na final do Euro 2016, tinha sido mais fácil do que a vida que levou, na qual até teve de lavar pratos para ajudar a mãe.

E o golo, afinal, como foi? “Sei mais ou menos onde está [a baliza], mas, com o Koscielny a pressionar, não tive tempo para olhar para ela. Quando saio da pressão, vejo que o Umtiti não se aproxima. Deve ter pensado que eu estava longe e que dificilmente podia rematar, porque ainda tinha o Pogba atrás. Mas eu senti que havia uma oportunidade de rematar para o lado em que normalmente há menos espaço, que é o primeiro poste. Percebi que se rematasse para aí, seria mais difícil para o Lloris porque o Umtiti estava a tapar-me. Quando o Lloris viu a bola foi tarde…”

Eder, hoje com 33 anos e sem clube, abandonou o Lokomotiv Moscovo e entregou ao empresário as ofertas