Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

FC Porto: transferência de Militão para o Real Madrid e negócio com PT sob investigação

O que têm em comum a transferência de Éder Militão do FC Porto para o Real Madrid, em 2019, as negociações do clube azul e branco com a Altice – inicialmente PT – e a Operação Cartão Vermelho? O agente Bruno de Macedo que, só no negócio Militão, terá recebido, com o seu sócio brasileiro, mais de €9,5 milhões em comissões

Tribuna Expresso

NurPhoto

Partilhar

De acordo com o jornal “Público”, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) está a investigar a transferência do jogador brasileiro Éder Militão do FC Porto para o Real Madrid, em 2019. O negócio terá implicado o pagamento de quase €10 milhões em comissões ao empresário Bruno de Macedo e a Giuliano Bertolucci, sócio brasileiro do português.

Macedo tornou-se mais conhecido do público por ser um dos visados pela investigação no âmbito da Operação Cartão Vermelho.

Éder Militão esteve menos de um ano no FC Porto, que foi buscá-lo ao São Paulo por €8,5 milhões, em agosto de 2018. Em março de 2019, o mesmo jogador estava a caminho de Madrid, com o Real a pagar €50 milhões pelo brasileiro. A mais-valia potencial do negócio para os dragões seria de 38 milhões, aproximadamente.

No entanto, revela o “Público”, a SAD portista declarou uma mais-valia efetiva de apenas 28 milhões de euros. A diferença terá servido para pagar serviços de intermediação prestados pela BM Consulting, Lda., cujo dono é Bruno de Macedo, detido juntamente com Luís Filipe Vieira, presidente suspenso do Benfica.

Não foi apenas a venda de Éder Militão que alertou as autoridades. A própria compra do jogador pelo FC Porto estará a ser investigada. Envolvido no processo terá estado o empresário Pedro Pinho, que foi filmado a alegadamente agredir um repórter de imagem da TVI.

Em 2018, uma denúncia anónima terá sido enviada para a Procuradoria-Geral da República, acusando Pinho e também António Perdigão, um ex-árbitro que se tornou comentador do "Porto Canal", de corrupção desportiva. Pedro Pinho também foi sócio de Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente portista, e mantém uma sociedade com Bruno de Macedo.

A PP Sports, empresa de Pedro Pinho, esteve também envolvida na transferência de Ricardo Pereira para o Leicester e numa outra operação da SAD portista, em 2019/20. No entanto, no último caso, o relatório e contas do FC Porto não revela o teor dessa intermediação.

Já Bruno de Macedo tem intermediado, nos últimos anos, os mais variados negócios dos dragões (mas não só). A última transferência em que terá estado envolvido o empresário - detido a semana passada - foi a vinda de Pêpê para o FC Porto. O jogador brasileiro foi contratado ao Grémio de Porto Alegre por €15 milhões.

Mas Macedo não se limitará a intermediar contratações de futebolistas.

As negociações dos direitos televisivos entre FC Porto e Altice terão tido o dedo do empresário. Bruno de Macedo terá feito o mesmo com outros clubes, mas, segundo a revista “Sábado”, é mesmo o que diz respeito a Dragões e Altice (antigamente MEO) que está a ser investigado pelo Ministério Público.

De acordo com a "TVI24", as suspeitas prendem-se com o pagamento de uma comissão de €20 milhões ao intermediário do negócio, sendo que as autoridades estão a investigar se alguma parte do lucro foi cair no colo da família Pinto da Costa.

A "TVI24" afirma também que, de acordo com uma fonte judicial não revelada, as autoridades suspeitam que Pedro Pinho sirva como “testa de ferro” de Alexandre Pinto da Costa. A Altice, empresa francesa que comprou a PT, confirmou à "TVI24" que fez “um acordo de prestação de serviços com a BM Consulting” com o objetivo de “mediar nos contactos e negociações com diversos clubes de futebol”.