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Austrália ajuda jogadoras da seleção de futebol do Afeganistão a fugir mas muitas permanecem no país. As atletas têm entre 14 e 16 anos

De acordo com a agência Associated Press, as jogadoras que permanecem no país estão em constante movimento, procurando escapar aos talibãs. As atletas vivem em perigo permanente. A maioria das futebolistas do Afeganistão foi já evacuada para território australiano na semana passada

Carlos Luís Ramalhão

Mail Today

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Cometeram o crime de escolher a prática de um desporto que adoram. As jogadoras de futebol da seleção afegã, criada em 2007, correm perigo constante desde que o poder, no seu país, caiu nas mãos dos talibãs. A evolução dos últimos 20 anos não acompanhou o estabelecimento de uma resistência democrática ao perigo que representam os radicais islâmicos.

De acordo com a agência noticiosa Associated Press, as atletas mudam constantemente de casa, numa tentativa desesperada de fugir aos impiedosos talibãs. A Austrália desempenhou um papel fundamental no salvamento de grande parte das internacionais afegãs que já se encontrarão na Oceania. Todavia prossegue ainda uma tentativa internacional de evacuar as atletas que ficaram em território afegão, além dos seus familiares e dos funcionários da federação de futebol.

Na última semana, as operações sofreram um revés quando um bombista se fez explodir no aeroporto de Cabul, onde se refugia grande parte da população afegã com ligações ao Ocidente. Morreram 169 cidadãs e cidadãos do Afeganistão, além de 13 americanos que prestavam auxílio aos refugiados.

Neste momento, assustadas, as mulheres depositam a esperança numa coligação entre militares americanos, congressistas, aliados dos EUA e ONGs. A capitã da equipa nacional do Afeganistão, que já foi evacuada, tenta afincadamente ajudar as companheiras a conseguir a segurança de que tanto precisam.

“São jovens mulheres incríveis que deviam estar a jogar futebol ou com as suas amigas. Aqui estão numa situação muito perigosa por não terem feito mais do que praticar desporto,” disse Robert McCreary, antigo congressista e membro da administração de George W. Bush. Com experiência militar no Afeganistão, McCreary não tem dúvidas: “Temos de fazer tudo para protegê-las”.

Estamos a falar de atletas que têm entre 14 e 16 anos, alvos prioritários dos terroristas, não apenas porque as mulheres e as raparigas estão proibidas de praticar desporto, mas também porque ousaram defender as meninas enquanto membros ativos das suas comunidades. Quem o diz é Farkhunda Muhtaj, a capitã da seleção afegã, que vive no Canadá.

“Elas estão de rastos. Sem esperança, considerando a situação em que se encontram,” declarou Muhtaj, que garante manter o contacto com as atletas e tenta, a todo o custo, mantê-las calmas. Nos últimos dias houve, pelo menos, cinco tentativas falhadas de salvar as futebolistas. Tanto McCreary como Muhtaj concordam que estas raparigas estavam a “poucos passos da liberdade” quando o atentado ocorreu.

Outra das vozes que se tem ouvido a pedir ajuda urgente para as jogadoras afegãs é a da ex-internacional pelos EUA Julie Foudy, bicampeã do mundo e duas vezes vencedora da medalha de ouro em Jogos Olímpicos. Foudy diz que os esforços de salvamento “aumentam a visibilidade destas jovens e da importância da igualdade e da democracia”.