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O primeiro capitão de José Mourinho foi Paulo Madeira, no Benfica. "Foi um começo pesado," desabafa o ex-jogador

Prestes a completar 1.000 jogos como treinador, José Mourinho tem-se pronunciado sobre vários momentos importantes da sua carreira. Um deles, de forma óbvia, foi o curto período no Benfica, afinal o primeiro desafio como técnico principal. Na altura, Paulo Madeira era o capitão dos encarnados. O antigo defesa admite algumas dificuldades em lidar com a frontalidade de Mourinho

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O "Special Smile"

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Entre olhares críticos e de desconfiança, Mourinho estreou-se como treinador principal no Benfica de Vale e Azevedo em 2000/01 mas não chegou a entrar no século XXI à frente das águias. Num lamentável equívoco, a derrota do controverso presidente do clube fez com que Manuel Vilarinho assumisse a presidência e preferisse Toni ao homem que veio a ser o melhor treinador do mundo.

Nesse breve período de águia ao peito, o capitão de equipa era o cabeludo Paulo Madeira. O agora ex-jogador (e ex-cabeludo) admitiu alguns problemas de comunicação com o técnico setubalense. “Nem tudo correu muito bem. Houve uma determinada altura em que ele implicou comigo, com o Carlos Marchena e o Fernando Meira,” contou à agência Lusa. Tudo aconteceu num jogo frente ao Marítimo, na Madeira, em que o Benfica jogou com três centrais e perdeu 3-0. As críticas do treinador deixaram Paulo Madeira “triste” mas o antigo futebolista admite que isso “faz parte do crescimento”.

Desengane-se quem pensar que existe mágoa entre o ex-internacional português e o atual treinador da Roma. Paulo Madeira não poupa nos elogios a Mourinho: “Mal deu os primeiros treinos, notava-se que tinha algo de diferente, e acabou por vir a confirmar isso. Passados estes anos todos, continuo a considerá-lo o melhor treinador do mundo”. E Madeira sublinha “a dedicação conferida à profissão” por parte do treinador que o antigo jogador ainda considera “um jovem”.

Para Paulo Madeira, o segredo de Mourinho esteve na simplicidade dos métodos: “Ele apresentou-se com treinos básicos, simples e objetivos, sendo que, muitas vezes, o jogador tem a mania de achar que sabe tudo e não precisa de ser ensinado".

Entretanto a carreira do treinador português fala por si. Depois de anos a ser considerado um dos melhores do mundo, com títulos para comprovar isso mesmo, há quem considere que o Special One está na fase descendente da carreira. Quem olhar para ele verá a mesma confiança de sempre, por vezes arrogante, mas sedenta de vitórias. É conveniente que não nos deixemos levar pelo cabelo grisalho.