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Simão Sabrosa: “Quando vim para o Benfica tive dificuldades para voltar a ser eu próprio. O Petit gritava: ‘Vai para cima…’”

Antigo jogador do Benfica recorda chegada à Luz em 2001, depois de dois anos no Barcelona em que Louis van Gaal o proibiu de ir ao um-contra-um. No regresso a Portugal, Simão admitiu que os primeiros quatro meses foram de adaptação e de reencontro com o seu talento

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NICOLAS ASFOURI/Getty

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Simão Sabrosa foi uma das peças mais importantes do Benfica campeão nacional em 2004/05, no regresso aos títulos do clube após uma seca de mais de 10 anos. Mas os primeiros tempos na Luz não foram fáceis, uma realidade que o antigo extremo relatou numa entrevista à BTV.

Na verdade, tudo teve origem dois anos antes, quando Simão se transferiu do Sporting para o Barcelona. Em Alvalade, o talento do jogador natural de Constantim desenhava-se pelas alas, pela facilidade em ganhar nos duelos individuais, ele que marcou logo na estreia pelos leões, com apenas 17 anos.

Mas quando chegou a Camp Nou, o treinador Louis van Gaal pediu um futebol mais objetivo ao então jovem português.

“Tive um momento bastante complicado quando cheguei ao Barcelona. Estava habituado ao um-contra-um e o Van Gaal não o permitia. Obrigava a jogar bem aberto e dizia: ‘Dominar e passar’ ou ‘Dominar e centrar’. Não podia fazer mais do que isso”, lembra o antigo internacional português, que agora é diretor de relações internacionais do Benfica.

Simão pediu para sair do Barcelona após duas temporadas em que nunca foi aposta a titular, voltando para Lisboa em 2001, mas para o Benfica. E aí teve de fazer o caminho inverso, voltar a apostar nos seus pontos fortes e esquecer as exigências do treinador holandês. E admite que não foi fácil.

“Quando vim para o Benfica tive quatro meses de dificuldades para voltar a ser eu próprio, no um-contra-um, a decidir”, diz, recordando os berros de Petit: “Ele gritava imenso: ‘Vai para cima…’”.

Ross Kinnaird/Getty

Na conversa, Simão Sabrosa, hoje com 41 anos, lembra ainda que por estes dias “há cada vez menos extremos e menos momentos de um-contra-um” e que é importante os clubes darem força aos futebolistas que têm essa capacidade: “Não podemos perder estes jogadores que são virtuosos. Eles têm é de saber quando é que o devem fazer”.

Aquela noite em Liverpool

Simão Sabrosa lembrou ainda alguns dos melhores momentos que viveu com a camisola do Benfica, sublinhando a vitória por 2-0 frente ao então campeão europeu em título, o Liverpool, em pleno Anfield, que valeu ao Benfica a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões.

O extremo marcou e admite que ainda é recordado pelos adeptos por esse golo. “É brilhante ouvir os benfiquistas falar desse golo. Embora haja outros importantes. E derrotas também, aprende-se muito nas derrotas, mais do que nas vitórias. Mas esse momento em Liverpool foi inesquecível e continuam a falar-me dele”, conta.

Voltando ao presente e ao Benfica de 2021/22, Simão Sabrosa sublinhou também o excelente arranque de temporada da equipa, relevando que “existe talento, competência e condições” e que depois de uma temporada de desilusões “os jogadores sentiram que o Benfica não podia estar dois anos sem ganhar”.