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O que diz a Europa sobre a vitória de um Benfica "vertical" sobre um Barcelona na horizontal

O regresso do Benfica às grandes noites europeias pode ter sido ajudado pela evidente crise que se vive em Barcelona. O tema, na imprensa europeia, é a derrota dos catalães e nunca a vitória dos portugueses. Koeman é o protagonista por estar perigosamente perto do abismo. A imprensa europeia não retira o mérito ao clube da Luz. Só não lhe dá qualquer relevância

Carlos Luís Ramalhão

DeFodi Images

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O jornal inglês “The Guardian” não ignora o jogo de quarta-feira. Não poderia ignorar. E não é porque a Luz voltou à glória das noites europeias, nem porque Rafa marcou um grande golo e Darwin confirmou a evolução das espécies com mais dois. Ao jornal inglês interessa sobretudo perceber se Ronald Koeman se aguenta como treinador do Barcelona, uma equipa que é uma sombra do que foi nas últimas décadas e que se imagina mais depressa na horizontal, deitada na relva tenra da Luz, do que propriamente a jogar futebol.

Quem estiver mais interessado na atuação do Benfica do que na corda bamba de Koeman, terá de ser paciente. No “The Guardian”, encontra uma frase e é logo no início do artigo: “Barça despenhou-se na Luz”. O motor de busca permite-nos procurar outro artigo, digamos que este era sobre o Barcelona e haveria outro sobre o Benfica ou mesmo sobre o jogo em si. Não. As referências anteriores ao clube da Luz têm a ver com Bruno Lage e a presidência de Rui Costa.

Pensar-se-ia que os espanhóis da “Marca” iriam reagir de forma diferente. Mas não. O artigo publicado no site do órgão de Madrid dedica-se quase inteiramente a Ronald Koeman, com um cantinho reservado para o presidente do Barcelona. Para os mais desatentos ao jogo de quarta-feira, a “Marca” informa que os adeptos do Benfica presentes no Estádio da Luz gritaram por Messi várias vezes, atazanando a cabeça massacrada de Joan Laporta, o presidente do Barça.

Os catalães do “Sport”, assumidamente próximos do Barcelona, vão dizendo que “no primeiro remate do Benfica chegou o primeiro golo”. Referem Darwin Núñez mas destacam a falha de Eric Garcia, o defesa que “foi superado na área”. O jornal diz que o Barcelona dominou a partir daí, pelo menos até ao intervalo. Na segunda parte, o Barça regressou fraco e o “Sport” fala de um Benfica “vertical”.

Regressando a Inglaterra, o “Daily Mail” dedica mais algumas linhas ao Benfica, que “empurrou a equipa catalã pela ribanceira abaixo”, numa tradução aproximada da expressão idiomática. Foi um “desastre total” para o Barcelona, a noite de ontem. A seguir foi Koeman, Ronald Koeman e ainda mais Koeman, a dizer que “eles [o Benfica] são muito rápidos e fortes”, ou seja, foi o próprio técnico holandês, que há muitos anos passou pela Luz, a falar da atuação do clube português.

Em França, o “L’Equipe” analisa o jogo, deixando algum espaço – não muito – para Koeman respirar. Começa por comparar os adversários do Barça nos dois jogos já disputados na Liga dos Campeões deste ano: Bayern de Munique e Benfica. Sobre os da Luz, o jornal francês lembra que são “de um nível largamente inferior ao da equipa alemã”.

Lendo a imprensa estrangeira, dir-se-ia que o Barcelona veio ao Estádio da Luz para ganhar sem que fosse preciso tocar na bola. Fez lembrar uma das muitas e célebres declarações de Jorge Jesus na sua primeira passagem pelo Benfica: “Mas o Benfica está a jogar sozinho? O Benfica está na ‘Champions’!”. Neste caso, porque andava ali perto, o clube da Luz apareceu para dizimar a equipa do Barcelona como uma invasão de gafanhotos faz aos campos de trigo. Não se fala dos “gafanhotos” mas sim da falta de trigo. O moleiro chama-se Ronald Koeman e terá de ser castigado. Chico Buarque diria que “foi bonita a festa, pá”. E tem razão.