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Lilian Thuram: “Para nos livrarmos do racismo, não podemos pensar como um negro ou um branco, mas como seres humanos"

Antigo jogador de clubes como Barcelona ou Juventus, campeão do mundial e europeu pela seleção francesa, Lilian Thuram tornou-se um estudioso do fenómeno do racismo. De passagem por Itália para a apresentar o novo livro, o francês não tem dúvidas de que há abusos racistas naquele país

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Leonardo Cendamo/Getty

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Desde que pendurou as chuteiras, Lilian Thuram tem construído uma sólida carreira intelectual, tentando explicar o que leva as pessoas a serem racistas. Desta feita, Thuram esteve em Itália, onde representou a Juventus, para apresentar o seu novo livro, “Pensamento Branco”.

No Festival de Cinema de Trento, o antigo futebolista falou sobre comportamentos racistas e fez questão de abordar o tema no contexto italiano. Thuram não hesitou em dizer que “há racismo em Itália” e abordou um dos casos mais recentes na Série A, no jogo entre a Fiorentina e o Nápoles. Kalidou Koulibaly, Victor Osimhen e Franck Anguissa foram alvo de insultos durante a partida.

“A situação italiana é a mesma há 25 anos. Há muita hipocrisia. O racismo é uma armadilha, uma ideologia política que perdura porque há quem se aproveite disso,” explicou Thuram. O francês acrescentou: “Os jogadores têm que dizer ‘sim, há racismo em Itália’.” Segundo o ex-futebolista, a atitude discriminatória é um “hábito” que tem de ser quebrado.

“Quando alguém chama macaco a Koulibaly, isso é violência. Quem o faz não está a atacar apenas aquele jogador, mas sim muitas pessoas,” disse Lilian Thuram na conversa publicada pelo jornal “Gazzetta dello Sport”. “Para nos livrarmos do racismo, não podemos pensar como um francês ou um italiano, um negro ou um branco, mas como seres humanos,” concluiu Thuram.