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Processo dos insultos racistas contra Marega foi suspenso: arguidos terão de entregar um valor ao Estado e pedir desculpa ao jogador

Todos os arguidos, acusados de insultos ao jogador maliano do FC Porto, viram os respetivos processos suspensos. Na prática, de acordo com o “Jornal de Notícias”, os envolvidos terão de pagar mil euros ao Estado, apresentar-se numa esquadra da PSP sempre que houver jogos do Vitória de Guimarães e escrever um texto a pedir desculpa a Moussa Marega, o que ainda não terá sido feito

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Octavio Passos/Getty

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De acordo com o “JN”, o Tribunal de Guimarães, cidade onde ocorreram os incidentes, decidiu-se pela suspensão provisória dos processos que envolviam quatro arguidos, três dos quais ficaram a conhecer a decisão em setembro, enquanto um outro já tinha visto o processo suspenso em 2020. Não houve, portanto, condenações ou sequer acusações.

A suspensão provisória tem o prazo de um ano. Apesar de não haver penas de prisão, os arguidos terão de entregar mil euros ao Estado, num prazo de três meses, não poderão frequentar recintos desportivos durante um ano e são obrigados a apresentar-se numa esquadra sempre que o Vitória jogar.

Os indivíduos em causa terão, também, de pedir desculpa a Marega, por escrito, no "Desportivo de Guimarães". Segundo o "JN", o texto já existe, mas ainda não foi publicado. Apesar disso, o “JN” já terá tido acesso ao mesmo. Nele, os arguidos admitem que “vaiaram e insultaram o jogador”, embora não refiram que os insultos tinham teor racista.

O incidente aconteceu em fevereiro de 2020, no jogo entre o Vitória e o FC Porto. Marega foi jogador do clube da casa antes de se transferir para o Dragão. Aos 70 minutos, o maliano perdeu a paciência e, cedendo aos insultos vindos das bancadas, incluindo sons associados a primatas, abandonou o relvado.

O procurador do Ministério Público decidiu agora que os castigos aplicados são suficientes para responder “às exigências de prevenção especial e geral”. De acordo com o relatório, foi tida em conta a “jovem idade dos arguidos” e “o facto de não terem antecedentes criminais”.

Refira-se ainda que estaria presente no estádio, nesse dia, uma espécie de brigada especializada no combate ao racismo no desporto, um projeto-piloto da Comarca de Braga, referido pelo “JN”. Desconhecem-se as consequências práticas provocadas pela presença dos agentes, mas sabe-se que, entretanto, tanto Sporting de Braga como Vitória de Guimarães já foram castigados em casos posteriores ao de Marega.