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Treinador de equipa da NFL demite-se após ser acusado de usar linguagem homofóbica, misógina e racista em e-mails

Jon Gruden, que já ganhou um Super Bowl, deixou os Las Vegas Raiders, da liga de futebol americano, após terem sido divulgados e-mails, enviados ao longo de quase 10 anos. Vocabulário como "bicha" ou "um anti-futebol maricas e desinformado" estão a ser denunciados como linguagem homofóbica, misógina e racista. O treinador diz: “Amo os Raiders e não quero ser uma distração”

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Ethan Miller

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Na segunda feira, Gruden partilhou um comunicado no qual confessava o seu amor pelos Raiders e agradecia “aos jogadores, treinadores, staff e adeptos” do clube do Nevada. “Peço desculpa, nunca quis magoar ninguém,” escreveu o ex-técnico. A demissão foi imediatamente aceite pelos dirigentes do clube.

Pouco antes de anunciar a saída, Gruden viu o “The New York Times” denunciar a existência de e-mails enviados pelo treinador, ao longo de quase uma década, com conteúdo ofensivo para homossexuais e pessoas de outras etnias.

Nos e-mails, o treinador terá chamado de "bicha" e "um anti-futebol maricas e desinformado" a Roger Goodell, comissário da NFL. Outro dos visados era o diretor-executivo da Associação de Jogadores da NFL, DeMaurice Smith.

Os e-mails sob investigação foram enviados numa altura em que Gruden trabalhava para a "ESPN" como analista principal do programa “Monday Night Football”. A cadeia de televisão norte-americana já veio dizer que “os comentários são claramente repugnantes”.

A correspondência eletrónica de Jon Gruden — que, em 2002, venceu o Super Bowl com os Tampa Bay Buccaneers — inclui linguagem ofensiva para vários proprietários de equipas envolvidas num conflito laboral, em 2011. O “Wall Street Journal” publicou um artigo em que cita o ex-treinador, quando este se referiu a DeMaurice Smith como alguém com “lábios do tamanho de pneus michellin”.

Gruden defendeu-se aos microfones da "ESPN", dizendo usar regularmente o termo “lábios de borracha” quando se refere a alguém “apanhado a mentir” e não com qualquer intuito racista.

“Estou embaraçado com por ter insultado De Smith e com o que circula por aí. Garantidamente, nunca quis que [o vocabulário] soasse tão mal. Nunca tive um pensamento racista quando ao usá-lo” disse Jon Gruden, de 58 anos. O norte-americano estava à frente da equipa de Las Vegas desde 2018 e tinha um contrato de 10 anos com um valor calculado em aproximadamente 100 milhões de dólares.