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Newcastle, o novo milionário do futebol graças à Arábia Saudita: “Os adeptos querem Mbappé e Messi. O céu é o limite”

Jonjo Shelvey, um dos capitães do Newcastle United, vibrou com a “inacreditável” compra do clube inglês por 360 milhões de euros. O fundo responsável pelo investimento vem da Arábia Saudita e tem ligações à família real do país, que ordenou o plano que culminou no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, 2018. Shelvey queria “ir beber umas cervejas com os adeptos”, revela que a compra tem causado ansiedade em alguns jogadores do plantel e falou que já não deve estar no clube quando este “ganhar a Liga dos Campeões”

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OLI SCARFF/Getty

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Jonjo Shelvey foi jogador do Newcastle de antes, o clube da Premier League mais a norte de Inglaterra, quase a tocar a Escócia, com algum prestígio ligado a Bobby Robson ou Alan Shearer, e ambições limitadas. Agora, Shelvey joga num dos clubes mais ricos do mundo, depois de uma extraordinária jogada de investidores sauditas. Sim, o clube continua a ser o Newcastle, a ambição é que é outra.

Na quinta-feira passada, Jonjo juntou-se aos adeptos do Newcastle e viu pela televisão a notícia da compra do clube pelos investidores sauditas. Por volta das 17 horas, milhares de fãs juntaram-se à porta do mítico St. James’ Park e entornaram toda a cerveja que puderam para celebrar o que, noutros clubes, tem originado protestos — a compra do Newcastle por dinheiro vindo de um país onde o respeito pelos direitos humanos é questionado.

No caso da Arábia Saudita, agentes a trabalharem para o governo do país assassinaram Jamal Khashoggi, um jornalista, no consulado do país em Istambul, na Turquia, em 2018. O próprio regime de Riade admitiu que o ato foi ordenado por um chefe de uma equipa de negociação que tentava levá-lo de volta para o país. Khashoggi publicou vários trabalhos a denunciar

Mas, falando do investimento de um consórcio liderado por Yasir Al-Rumayyan, governador do Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita, que terá passado a controlar cerca de 80% do Newcastle e vendo a festa na qual milhares de adeptos comungaram nas imediações do estádio do Newcastle, Jonjo Shelvey admitiu que lhe apetecia “ir beber cerveja” com eles.

“Os adeptos sofreram muito no passado, penso que o que vimos [à porta do estádio] foi uma libertação da frustração e um alívio pela concretização do negócio,” explica o jogador, o primeiro a falar abertamente sobre a compra do clube, ao "Daily Mail".

Apesar da euforia, o inglês, regressado há pouco tempo de uma lesão, não esquece o outro lado da moeda de ouro. Shelvey admite que alguns elementos do plantel poderão estar a sofrer de ansiedade devido à incerteza gerada pela mudança repentina. Com a nova direção, haverá certamente alterações no balneário.

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OLI SCARFF

Depois de ouvir os novos dirigentes a falar de “ganhar a Liga dos Campeões”, o jogador de 29 anos sorriu e, a seguir, regressou à Terra: “Provavelmente já não estarei no clube quando isso acontecer”. “Tenho 18 meses de contrato, cabe-me mostrar às pessoas o que valho,” anunciou o futebolista, há seis anos em Newcastle.

“Percebo o que os fãs querem: Mbappé e Messi. O que posso dizer é que eles não virão de repente, temos de ser realistas,” afirmou o sub-capitão da equipa, lembrando outras necessidades mais imediatas: “Todos sabemos que as instalações onde treinamos estão abaixo do padrão da Premier League. Não havia dinheiro e isso era difícil de aceitar”.

Agora, com a direção liderada pelos sauditas, Shelvey admite: “Este clube pode alcançar tudo o que quiser. O céu é o limite”.