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"Tenho medo de correr com ele". Darryn Binder, o novo 'enfant terrible' do motociclismo, vai dar o salto para o MotoGP. E ninguém está feliz

O sul-africano corre na categoria Moto3 mas, apesar da inexperiência, vai saltar para o MotoGP em 2022. Lá encontrará, por exemplo, o português Miguel Oliveira. Mas Binder enfrenta uma chuva de críticas, tanto de atuais como de futuros companheiros, devido à sua agressividade, que chega a pôr em perigo a sua vida e a dos outros

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Steve Wobser

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Num ápice, o motociclista sul-africano Darryn Binder converteu-se no centro de todas as críticas por parte daqueles que com ele partilham a pista. Este ano, Binder disputa o campeonato de Moto3, mas já se sabe que será promovido à categoria máxima do motociclismo, MotoGP, onde encontrará Miguel Oliveira, entre muitos outros - até hoje, apenas Jack Miller saltou da categoria mais baixa para a elite de forma direta, sem passar pelo Moto2.

As críticas dirigidas a Binder vêm de quase todos os lados. Acusações de irresponsabilidade, agressividade exagerada, imaturidade, são partilhadas pelos motociclistas em competição. O histórico Valentino Rossi refere: “Darryn é muito agressivo e por vezes comete erros que não são justos para os outros”.

Ainda recentemente, no GP do Algarve, o sul-africano esteve envolvido num acidente que poderia ter tido consequências bem mais graves. Ao forçar a ultrapassagem a Sergio García e a Dennis Foggia, Binder não se limitou a arrastar os dois colegas para fora da pista como impediu Foggia de continuar a lutar pelo título de Moto3, que foi entregue de mão beijada ao espanhol Pedro Acosta, de 17 anos.

A situação foi tão controversa que o próprio Foggia se recusou a aceitar um pedido de desculpa de Darryn. “Binder abalroou-me uma vez e à segunda não me aguentei. Surpreende-me que ele para o ano esteja no MotoGP. Não é a primeira vez que acontece com ele. Não é um bom currículo,” afirmou Dennis Foggia.

Também a equipa do italiano de 20 anos emitiu um comunicado sobre o comportamento de Binder: “É muito estranha a sua forma de agir. É imperdoável. E não é a primeira vez. Podia ter acabado pior”.

O controverso motociclista é acusado de não ter palmarés suficiente para chegar já em 2022 ao MotoGP. Binder tem menos vitórias – apenas uma – do que acidentes. O campeão em título de Moto2, Enea Bastianini, que participa este ano no MotoGP, também comentou o acidente de Binder no Grande Prémio algarvio: “Foi um erro estúpido, indigno de MotoGP. Sinceramente tenho medo de correr com ele no próximo ano,” confessou o italiano.

Pecco Bagnaia, da mesma categoria, pede à Federação Internacional de Motociclismo que se adote uma regra usada na Fórmula 1. “Nos campeonatos de carros dão-te uma superlicença que apenas consegues se as coisas estiverem a correr bem contigo no campeonato em que participas. Já vimos muitos acidentes com ele,” referiu Bagnaia.