Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Revista de Imprensa

O fantástico Dylan Alcott vai retirar-se do ténis mundial: “Chegou a altura. Sinto-me redundante e velho”

O australiano tornou-se, já este ano, o único homem a vencer os quatro principais torneios de ténis adaptado e o ouro nos Jogos Paralímpicos. Em janeiro, Alcott vai retirar-se para “dar lugar aos mais novos” e quer fazê-lo em casa, frente aos seus fãs, no Melbourne Park, onde se disputa o Open da Austrália

Tribuna Expresso

Elsa

Partilhar

O anúncio foi feito esta semana: Dylan Alcott, estrela do ténis adaptado, vai deixar a competição, aos 30 anos.

O tenista, vencedor de 15 títulos em torneios do Grand Slam, fará no Open da Austrália de 2022 a sua última prova e sublinhou a importância de se despedir dos courts na sua cidade-natal, Melbourne, onde venceu sete títulos em anos consecutivos. “De forma alguma eu poderia ter acabado a carreira há algumas semanas porque o Open dos EUA não é a minha casa,” declarou, acrescentando: “O Open da Austrália mudou a minha vida”.

“Eu sabia que o dia tinha de chegar. Tem sido uma viagem incrível e penso que é tempo de fazer outras coisas. Dito isto, vou treinar muito nos próximos dois meses e tentar sair em grande,” disse o atleta.

A vitória de Alcott no Open dos EUA, em setembro, foi a sua terceira em Flushing Meadows. O troféu veio juntar-se à sua vasta coleção, que inclui também dois triunfos em Wimbledon e três em Roland Garros. No total, Dylan Alcott venceu, além dos 15 títulos individuais e oito em pares, quatro medalhas de ouro e duas de prata nos Jogos Paralímpicos, o que faz dele o maior atleta de ténis adaptado de todos os tempos.

Depois de elogiar o adolescente Niels Vink, que defrontou na final da prova americana, Alcott considerou que “é altura de dar lugar a jogadores” como o neerlandês. “Sinto-me redundante, velho e gasto,” confessou o australiano. “É altura de a próxima geração dominar e ter o reconhecimento que merece. (…) Vamos ver o que acontece. Estou apenas a desfrutar do momento,” considerou o tenista na conferência de imprensa citada pelo jornal “The Guardian”.

Alcott ficou paraplégico depois de nascer com um tumor na cervical. Foi operado, o tumor foi retirado, mas sem possibilidade de um dia andar. Na infância, foi vítima de bullying constante. Apesar do sentido de humor e do inegável talento, o australiano confessou que antes se “detestava” a si próprio. “Eu odiava a minha deficiência, nem sequer queria andar por cá e foi então que descobri o ténis, que mudou e salvou a minha vida,” contou após a vitória no Open dos EUA.

Desengane-se quem pense que o palco para os talentos de Alcott se limita ao court de ténis. A carreira do australiano começou no basquetebol, modalidade com a qual conquistou medalhas de ouro e prata nos Jogos Paralímpicos, ao serviço da sua seleção. Entretanto, além do desporto, Alcott abraçou atividades como os comentários na televisão ou a rádio, onde é DJ.

O sorridente atleta também aproveitou o seu estatuto de estrela do ténis para defender os direitos da pessoa com deficiência e chamar a atenção para os problemas mentais. “Tenho muito orgulho do trabalho que tenho feito, para ser honesto. Ser um bom jogador de ténis não é a minha prioridade; o meu objetivo é ser boa pessoa,” declarou Dylan.