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Navratilova: a rivalidade com Evert, a igualdade no desporto e o ativismo: “Os atletas têm estado na vanguarda da justiça social”

Em entrevista ao "El País", a ex-tenista recordou a rivalidade com Chris Evert e como na altura diziam ser aborrecido estarem sempre as duas nas finais, ao contrário dos homens, que se valorizava a incerteza. Hoje verifica que dizem o oposto: "Agora dizem que é genial ter o Rafa e o Roger em cada final"

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ADRIAN DENNIS

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Houve uma altura que o ténis feminino chocava sempre com os mesmos rostos nas finais. Martina Navratilova e Chris Evert, talvez uma das maiores rivalidades que o desporto já testemunhou, dominaram os courts nas décadas de 1970 e 1980.

Em entrevista ao “El País”, Navratilova, de 65 anos, refletiu sobre algo que notou daqueles tempos para cá. “Quando eu e a Chris Evert estávamos em quase todas as finais, tínhamos a melhor rivalidade do mundo. Jogámos uma contra a outra 80 vezes e as pessoas diziam então que o ténis feminino era muito aborrecido porque era sempre a Chris e a Martina, e que no lado dos homens nunca se sabia quem ia estar na final porque havia muito mais profundidade no ténis masculino. Agora dizem que é genial ter o Rafa e o Roger em cada final, mas é aborrecido com as mulheres porque nunca se sabe quem vai estar na final”, disse.

Navratilova, que ganhou mais de 160 títulos no ténis, entende que vai havendo mais igualdade, mas admite que há muito caminho para caminhar e que a sociedade está montada particularmente para os homens. Isto é, “os homens vão continuar a receber mais atenção porque as empresas patrocinam os homens”, assim como os jornalistas homens escrevem mais sobre homens, explicou.

Sobre o seu ativismo e o papel dos desportistas na sociedade, a ex-tenista recorreu a Coco Gauff, Naomi Osaka e Colin Kaepernick, que “perdeu o trabalho porque se ajoelhou durante o hino”, para demonstrar que é importante, nomeando ainda as redes sociais como ferramenta para promover a mudança na sociedade. Navratilova acredita que os desportistas fazem mais do que a média.

Ou seja, “acredito que, em geral, os desportistas são ativistas de primeira linha em todo o mundo, mais do que os atores ou cantores famosos”. Para Martina Navratilova, “os atletas têm estado na vanguarda da justiça social”.