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Weigl lembra o ataque ao autocarro do Benfica: “Fiquei com estilhaços de vidro num olho. Pensei imediatamente que era uma bomba”

O jogador alemão foi um dos atingidos pelas pedras arremessadas por alegados elementos dos No Name Boys, em junho de 2020. O outro ferido, Zivkovic, já não está no Benfica. "Pensei que fosse uma bomba," desabafou Julian Weigl, à "Sky Sports" alemã

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PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Foi a 4 de junho de 2020 que o Benfica empatou sem golos, na Luz, frente ao Tondela. No calor do pós-jogo, o autocarro que transportava jogadores e equipa técnica foi apedrejado por alegados membros dos No Name Boys. Lá dentro, um novato na sua primeira época de Benfica falava ao telemóvel com a companheira quando foi atingido por uma pedra. “Tive muita sorte. No momento em que aconteceu, pensei imediatamente que era uma bomba,” revela Julian Weigl, o único dos dois jogadores feridos que continua na Luz. O outro foi o sérvio Zivkovic. Já o treinador de então, Bruno Lage, assegurou que, após o incidente, “os jogadores viviam com medo”.

Ambos os atletas foram assistidos no hospital. Fisicamente, escaparam a sequelas do incidente. Já mentalmente, tão depressa não esquecerão o insólito momento por que passaram. Weigl sublinha: “Imaginem-se sentados à frente, num autocarro de dois andares, e entrar uma pedra daquelas. Fiquei com estilhaços de vidro num olho”.

O médio internacional alemão estava completamente absorvido pelo telefonema com a namorada, pelo que o choque foi ainda maior. “Estava a falar com a Sarah porque fazemos sempre isso a seguir a um jogo. Mantive os olhos fechados e gritei. Depois, alguém do Benfica veio dizer-me que não havia qualquer bomba,” contou Weigl, assegurando que, atualmente, entra no autocarro “com normalidade”.

O insólito é reforçado pelo facto de os alegados autores do ataque fazerem parte da claque do clube, ou seja, são aqueles de quem se esperaria apoio e não violência. Há 31 No Name Boys sentados no longo banco dos réus do Tribunal de Sintra. Respondem por mais de 200 crimes, um deles tentativa de homicídio.

Julian Weigl estava presente em outro ataque, em 2017, quando uma bomba explodiu perto do autocarro do Borussia Dortmund que transportava a equipa para um jogo da Liga dos Campeões, contra o AS Monaco.