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Torricelli: “Joguei com Baggio, Zidane, Del Piero e Vialli, foi um espetáculo. Ronaldo não tem de imitar ninguém”

Moreno Torricelli e Cristiano Ronaldo têm uma coisa em comum no arranque da carreira: seduziram Ferguson e Trapattoni num particular de pré-época. Torricelli, campeão europeu em 1996, diz à Tribuna Expresso que o português terá de se adaptar à defensiva Serie A. E, se a Juventus quer vencer a Champions, "tem de ter os melhores jogadores"

Hugo Tavares da Silva

Mark Sandten

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Um jogo particular mudou a vida de Moreno Torricelli, um miúdo que trabalhava numa fábrica de móveis e que jogava futebol em part-time. Aos 22 anos, era amador. Certo dia, o seu Caratese, da quinta divisão, serviu de teste de pré-época para a Juventus de Roberto Baggio, Möller, Peruzzi, Vialli e Ravanelli. Giovanni Trapattoni, o histórico treinador (que já passou em Portugal, no Benfica), gostou do que viu e disse ao rapaz para ir treinar com eles a Turim. A coisa correu bem e ele assinou. Estávamos em 1992.

Torricelli, um defesa importante da Juve (1992-1998) e Fiorentina (1998-2002), tem isso em comum com Cristiano Ronaldo, que encantou Alex Ferguson depois daquele Sporting-Manchester United, em Alvalade, em 2003. O português, que nestes dias tem sido a figura de jornais, rádios e TVs, estará a caminho de Turim para assinar pelos bianconeri. Torricelli esfrega as mãos.

“Eu gostava muito que o Ronaldo viesse para a Juventus”, diz este ex-internacional italiano à Tribuna Expresso, via WhatsApp. “Era bom voltar a ver, depois de tanto tempo, um Bola de Ouro em Itália.”

Antes deste tango a dois para rei do futebol mundial, entre Ronaldo e Messi, Kaká (AC Milan) foi o último a conquistar esse estatuto. Foi em 2007. Um ano antes, a distinção também ficou em terras transalpinas: Fabio Cannavaro, que trocou a Juve pelo Real Madrid no verão de 2006, foi campeão do mundo e eleito o melhor do mundo.

Shaun Botterill

Atualmente Cristiano é a figura maior do Real Madrid. É assim desde 2009, quando se mudou de Manchester para Madrid. O português bateu todos os recordes e tem mais golos do que jogos, como se vivesse nos anos 60. Será igual na Serie A? “É certo que em Itália se cuida muito o aspecto tático, terá de se adaptar um pouquinho ao futebol italiano. Mas a sua enorme qualidade fará a diferença até aqui”, garante Torricelli, hoje com 48 anos.

E continua: “Aqui ganha sempre o campeonato quem tem a melhor defesa e a Juve tem os melhores defesas, por isso ele tem a vantagem de treinar com eles todos os dias”.

Torricelli assinou o primeiro contrato profissional em 1992. Um ano depois conquistou a Taça Uefa (vs. Dortmund). Em 1996 venceu a Liga dos Campeões, em Roma, na final contra o Ajax (1-1), resolvida em penáltis. Depois dessa alegria, a Juventus perdeu cinco finais da Champions. Torricelli perdeu duas delas, em 1997 (vs. Dortmund) e 1998 (vs. Real Madrid). Diz-se que Ronaldo vai viajar para Turim para corrigir essa história, mas poderá não chegar.

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“[A Liga dos Campeões] não é uma obsessão, é ambição. Já há algum tempo que a Juve está entre as quatro melhores equipas da Europa. Para vencer é preciso ter os melhores jogadores. Para vencer as finais é preciso haver aquele quê de sorte, que muda um episódio a teu favor. Infelizmente isso não aconteceu. Todos os adeptos juventinos lembram-se de mim porque estive na última que vencemos.”

Ronaldo, diz Torricelli, “pode ser tão decisivo como tem sido nas últimas três edições [da Liga dos Campeões]”, pois o português “está com fome de ser o melhor sempre”. Este italiano jogou com grandes nomes e considera que Cristiano não fica atrás de ninguém. “Eu tive a sorte de jogar com Baggio, Zidane, Del Piero e Vialli, foi um espetáculo. Ronaldo tem de fazer simplesmente o que faz todos os anos, não precisa de imitar ninguém”.