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Desvalorização da marca CR7 no fio da navalha do julgamento mediático e judicial

Fixada em €120 milhões em 2017, a marca Cristiano Ronaldo será reavaliada pelo IPAM no final deste ano. Daniel Sá antecipa à Tribuna Expresso possíveis perdas de popularidade e reputação do mais mediático futebolista de todos os tempos, dependendo a revisão da marca do julgamento que se segue dentro e fora dos tribunais

Isabel Paulo

ALBERTO PIZZOLI

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Ainda é prematuro antecipar os reveses que a marca CR7 irá sofrer nos próximos tempos, afirma Daniel Sá à Tribuna Expresso, mas é expectável que a gravidade do caso divulgado pelo "Der Spiegel" venha a abalar não só a reputação do futebolista com maior notoriedade internacional, como afetar o seu valor comercial.

“O impacto no perfil e valor da marca CR7 vai depender do desfecho judicial do processo e, sobretudo, do tempo que durar a polémica e a dúvida em torno do que verdadeiramente se passou entre Cristiano Ronaldo e Kathlyn Mayorga, em 2009”, sustenta o diretor do IPAM, Instituto de Administração e Marketing que analisa regularmente o potencial da marca do jogador que está na corrida à sexta Bola de Ouro da sua carreira, troféu a anunciar em dezembro.

No caso do futebolista mais valioso do mundo, com um valor potencial de mercado fixado em €120 milhões no final de 2017, Daniel Sá avança que a possível revisão em baixa da marca estará presa não só ao que se irá passar dentro dos tribunais, mas também fora, face “ao forte impacto que conquistou nas redes sociais”. Segundo o último estudo do IPAM, no Facebook, Ronaldo ultrapassa os 18 milhões de seguidores, no Google gera 56 milhões de referências, no Twitter tem 9 milhões de seguidores, no Instagram 85 milhões e no YouTube são apresentados 10 milhões de vídeos sobre o português.

“Cristiano Ronaldo já não está longe de ter 400 milhões de seguidores nas redes sociais e um golo seu é visto milhões de vezes em qualquer parte do mundo”, refere o diretor do IPAM, que lembra que o Real Madrid viu sair do Twitter quase um milhão de seguidores nas 24 horas que se seguiram ao anúncio oficial da transferência de Ronaldo para a Juventus, clube italiano que capitalizou então 1,1 milhões de utilizadores no Twitter e 1,4 milhões no Instagram e meio milhão no Facebook.

O crescimento da marca CR7, potenciado graças ao seu sucesso desportivo individual e coletivo, “explodiu, contudo, pelo impulso tremendo das redes sociais”, frisa Daniel Sá, concluindo que será essa mesma exposição mediática que poderá ditar a queda do mais popular jogador do mundo.

Embora confesse estar curioso em relação às conclusões da análise que o IPAM irá apresentar no final do ano, que analisará não só o impacto das acusações e reabertura do inquérito policial da alegada violação, em Las Vegas, mas ainda a mudança de Cristiano Ronaldo do Real Madrid para a Juventus, Sá não arrisca um valor de quebra da marca: “Poderá ser significativa, dado o valor da marca CR7 ter uma forte componente de patrocínios”, conclui o especialista em marketing.

Recorde-se que a Nike, marca desportiva que patrocina Ronaldo, manifestou estar "profundamente preocupada" com as "acusações chocantes" contra o jogador português.