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Ronaldo a ser Ronaldo: um bis, um golaço e uma reviravolta

Cristiano fez o seu primeiro bis em Itália pela Juventus, contra o Empoli (2-1), usando o pé direito para marcar de penálti e, depois, espetacularmente com um remate de fora da área

Diogo Pombo

MARCO BERTORELLO

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Feita a provável melhor exibição da época em Manchester, subjugando a equipa de Mourinho a um poderio de jogo ao qual o 1-0 não foi fiel, a Juventus estava a passar um mau bocado de volta a Itália, no campo do Empoli, equipa a deambular pelo fundo da Série A, mais cheia de esforço, luta, raça e bons jogadores.

Saiu a perder para o intervalo e a reação, feita com jogadas mais intensas e trocas de bola mais rápidas, chegou quando a confiança de Benacer foi a sua perdição. Tentou evadir Dybala, na área, ficou sem a bola e ganhou um derrube ao argentino. Penálti.

E quando a bola quieta fica a 11 metros de uma baliza, na equipa que tem Cristiano Ronaldo, é o pé direito constante e robótico do português que é chamado ao serviço. Remate, guarda-redes a cair para o outro e o seu primeiro golo de penálti, em Itália.

A Juventus empatava, mas não é de igualdades que se alimenta a heptacampeã de um país é carente de vitórias como um humano necessita de água.

A equipa acelerou ainda mais, apertou o Empoli, espremeu-o até à sua área e todas as jogadas acentuaram a prioridade de arranjar maneira de deixar o português de todos os golos em condições de rematar a bola à baliza - uma visão que, hoje em dia, se vai descomplicando cada vez mais.

O português, avançando na idade e nas limitações que o corpo lhe dá, também vai progredindo na forma como não precisa assim de tanto tempo, de espaço ou de toques na bola para, onde quer que esteja e se tiver a baliza a menos de 35 metros, pontapear a bola com uma intenção.

A intenção de golo.

E assim bateu furiosamente a bola, do lado direito do campo, longe da baliza, para a disparar quase em linha reta rumo ao ângulo superior esquerdo da baliza do Empoli. Um golaço para suceder a um penálti e formar o segundo bis de Cristiano em Itália.

A Juventus deu a volta a um imbróglio com a certeza que há no pé direito de Ronaldo, aproveitando mais um jogo em que ele é o que costuma ser: decisivo, eficaz, potente, espetacular.