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Cristiano e a pressão de ser o melhor: “Chega a um momento em que tens de dizer: ‘Epá, deixem-me…’”

Numa entrevista à revista "Icon" do El País", Cristiano Ronaldo falou das exigências e das expectativas que ainda colocam em si e também da adaptação à Juventus que, diz, correu de forma perfeita: "Perceberam que não sou um enganador. Sou o Cristiano e sou assim porque me cuido"

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MARCO BERTORELLO/Getty

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O motivo da entrevista da revista “Icon”, parte do diário espanhol “El País” e mais virada para o público masculino, era a inauguração da nova clínica de implantes capilares de Cristiano Ronaldo, em Madrid. Mas o jogador português, que no início desta temporada deixou o Real Madrid para assinar pela Juventus, falou de bem mais.

Da adaptação ao novo clube, por exemplo.

“O primeiro que faço quando chego a um novo clube é ser eu próprio, não mais que isso. A minha ética de trabalho é sempre a mesma. Se o dono de uma empresa chega e começa a berrar com toda a gente, ninguém vai vê-lo como um líder. Vão dizer: ‘Este é o meu chefe, mas não me trata bem’. Deves ser humilde, aprender que não sabes tudo. Se fores esperto, vais captar as pequenas coisas que te farão melhor atleta”, começou por dizer o capitão da Seleção Nacional, que sublinha que a sua adaptação à Juventus correu “de forma perfeita”.

“Perceberam que não sou um enganador. Sou o Cristiano e sou assim porque me cuido. Uma coisa é falar, outra é fazer. Porque é que ganhei cinco Bolas de Ouro e cinco Champions?”, continuou.

Aos 34 anos, Cristiano continua a ser pressionado para ser o melhor e garante que não é fácil lidar com as expectativas altas, que por vezes até chegam dos mais próximos: “É difícil. Tens de contar com essa pressão adicional que é mostrar algo aos outros, não só a ti. Também a quem está à tua volta. A tua família, a tua mãe, o teu filho… ‘Cris, tens que ganhar amanhã’. Isso faz-te mais ativo, mas chega o momento em que também dizes ‘Epá, deixem-me…’”.

Numa entrevista em que não descarta tornar-se treinador quando acabar a carreira, o português justificou também a opção de abrir um novo negócio em Madrid, cidade que deixou no início da temporada.

“Os espanhóis trataram-me bem. Queria dar-lhes postos de trabalho, independentemente dos problemas que tive com o fisco. Isso não vou esquecer nem esconder, a minha vida é um livro aberto. Saí com a cabeça erguida, sei que gostam de mim, que sabem que dei muito ao clube e o clube também me deu muito. Vou na rua e dizem-me: ‘Cris, volta a casa, esta casa sempre será tua’. Gosto de ouvir isso”, disse.

Cristiano sublinhou ainda que vê o futebol como “uma missão”: “Ir para o campo, ganhar, tornar-me melhor. Esses momentos em que ia para os jogos a pensar ‘vou driblar’... sou honesto, esses momentos já não os tenho”.