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Ronaldo está de volta, à procura de um troféu em falta, numa temporada atípica que se pode tornar épica

Cristiano Ronaldo regressa esta sexta-feira aos jogos oficiais, no encontro que marca o retomar do futebol em Itália, o país que nos mostrou que a covid-19 não era uma coisa longínqua e que as nossas vidas seriam definitivamente baralhadas. O Juventus - AC Milan, da 2.ª mão das meias-finais da Taça de Itália, troféu que o português não tem no currículo, começa às 20h de Lisboa, depois de um minuto de silêncio pelas 35 mil vidas que o novo coronavírus já ceifou no país

Lídia Paralta Gomes

Nicolò Campo

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Noventa e seis dias são quase 100 dias e longas horas tiveram esses 100 dias. Para todos nós e ainda mais para Itália, onde tudo rebentou na Europa, onde vimos naquelas reportagens da Sky News os primeiros médicos desesperados, os hospitais em colapso, os avisos para que nos preparássemos para o que aí vinha. E é por cada uma daquelas quase 35 mil vidas que a covid-19 ceifou em Itália que esta noite, quando forem 21h em Turim, 20h em Lisboa, que se fará um minuto de silêncio num estádio vazio, sem ninguém para ver o regresso de Cristiano Ronaldo aos jogos oficiais, 96 longos dias depois do último.

Parece que foi há uma vida aquele 8 de março em que a Juventus bateu o Inter por 2-0 para a Serie A. O português não marcou, mas fez a assistência para Aaron Ramsey fazer o primeiro. No dia seguinte viajaria para a Madeira para visitar a mãe, internada após um problema de saúde; nessa segunda-feira, o governo italiano suspenderia o futebol, numa altura em que o país já tinha perto de 10 mil casos do novo coronavírus e mais de 400 mortes; dois dias depois, a Juventus confirmaria o primeiro caso no plantel, o defesa Daniele Rugani - Dybala e Matuidi também foram infetados.

Ronaldo só voltaria a Itália quase dois meses depois e agora, com mais um mês em cima, o futebol está de volta aos estádios italianos e logo com um clássico. Um Juventus - AC Milan da 2.ª mão das meias-finais da Taça. De San Siro vem um 1-1 da 1.ª mão, Ronaldo marcou o golo da Juventus.

Na Madeira, o português foi-nos mostrando pelas redes sociais os treinos insaciáveis e Bonucci, seu colega na Juventus, garante que Ronaldo regressou como havia partido: num grande momento de forma. Maurizio Sarri diz que Cristiano está bem, que apenas lhe falta a sensação do relvado. "Os nossos objetivos para os próximos três meses passam por ele", sublinhou o treinador em declarações aos meios oficiais da Juventus. Esta noite será titular no ataque dos campeões italianos ao lado de Paulo Dybala e de Douglas Costa, com o objetivo de levar a Juventus à final da Taça de Itália, troféu que ainda falta a Cristiano Ronaldo - há um ano a Juventus caiu nos quartos-de-final, com a Atalanta.

MARCO BERTORELLO

E estará aqui a grande motivação do capitão da Seleção Nacional para o regresso: o completar de uma tripla inédita, ele que já venceu a Taça de Inglaterra e a Taça do Rei, em Espanha. Além de ser líder da Serie A, com um ponto de vantagem sobre a Lazio, a Juventus está ainda na Liga dos Campeões.

Uma época atípica ainda pode tornar-se uma época épica para o português.

No Juventus Stadium, o protocolo não será muito diferente dos adotados nos países onde o futebol já se joga: apenas 300 pessoas estarão autorizadas no local, incluindo jogadores, staff, seis apanha-bolas e 10 jornalistas. Numa medida excecional anunciada na quarta-feira e que será aplicada nas meias-finais e final da Taça de Itália, em caso de empate no final do tempo regulamentar, o jogo segue diretamente para grandes penalidades.

Do lado da equipa de Milão, Rafael Leão deverá começar o jogo no banco. Um duelo entre Cristiano e Ibrahimovic terá de ficar adiado, já que o sueco é baixa por lesão para o AC Milan, que não vence a Juventus para a Taça de Itália desde 1985.